Introdução: No exterior, tensão comercial entre EUA e China mantém investidores atentos, e cautela aumenta. Sim: Trump pode continuar a adotar políticas protecionistas. A volatilidade dos mercados externos já sobe mais de 10% nesta manhã. O dólar se valoriza frente às moedas dos emergentes. Hoje, atenção aos discursos dos dirigentes do Fed. Na China, é feriado. No Brasil, o mercado revisa as projeções de inflação para cima, e as de PIB para baixo. O BC e o Tesouro tentam manter os mercados em bom funcionamento, mas o viés para os mercados locais segue ligeiramente mais negativo. No front político, alianças entre partidos seguem pouco prováveis no curto prazo, em nossa opinião. O Estadão comenta hoje sobre o “pacotão” de Bolsonaro.


CENÁRIO EXTERNO: TENSÃO COMERCIAL CONTINUA.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas da Europa recuam, após sessão negativa na Ásia. Nos EUA, S&P futuro operam em baixa. Em dia de maior aversão a risco, os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,90%). O dólar opera estável frente a principais pares, mas valoriza-se frente aos emergentes. As commodities operam mistas. O petróleo (brent ) sobe, e opera na casa dos US$74/barril. O índice VIX, que mede a volatilidade no exterior, sobe mais de 10% nesta manhã, por volta dos 13 pontos.

Sobre a “guerra comercial”… Nos últimos dias, cresceu a incerteza com relação às políticas comerciais. Donald Trump impôs tarifas em US$50 bi de produtos chineses. Os asiáticos, por sua vez, disseram que aumentarão tarifas em produtos americanos. Colocarão 25% de impostos em 545 categorias de produtos que totalizam US$34 bi, incluindo soja, carne e whiskey a partir do dia 6 de julho. Adiante, podem taxar outros US$16 bi, impactando outros setores dos EUA. Na última 6ª, alguns dos maiores grupos de lobistas de Washington afirmaram que o resultado final desta “guerra” será prejudicial aos consumidores, e setores agro e industrial. No Financial Times , comenta-se que 40% dos empresários pesquisados acredita que as políticas de Trump serão negativas para seus negócios. A questão é: sim, Trump pode continuar a adotar estas políticas protecionistas…

Produção industrial nos EUA… Em maio, a produção recuou 0,1% frente a abril, abaixo do crescimento de 0,2% esperado pelo mercado. Deve-se, em grande parte, à queda da produção automobilística, que sofreu com incêndios em algumas plantas. Apesar disto, os meses de março e abril foram bons, que mantém a média móvel trimestral em aceleração. Isto está em linha com os índices PMI do setor. Em suma: continuamos a observar bons dados de atividade nos EUA.

Ainda nos EUA, atenção ao FED… Na semana passada, houve reunião de política monetária nos EUA. Os juros subiram pela 2ª vez no ano, e pela 7ª vez desde a saída da crise. O que virá pela frente? Quais são as projeções oficiais? Para saber mais sobre a decisão, e a relação disso com o Brasil, veja o texto “Juros mais altos nos EUA: uma surpresa?”, no blog da GUIDE.

Na agenda de hoje… Nos EUA, temos 3 discursos do Fed: (1) Dudley, do Fed de NY (10h); (2) Bostic, do Fed de Atlanta (14h) e (3) Williams, do Fed de São Francisco (16h45). Vale lembrar: Dudley irá deixar o seu cargo, que será assumido por Williams. Assim, este se tornará, depois do presidente e do vice, o dirigente mais “poderoso” da instituição. Ainda pela manhã (11h), sairá a confiança do construtor do mês de junho. Na Europa, o presidente do BC Mario Draghi fala às 14h30.


BRASIL: MAIS INFLAÇÃO, E MENOS PIB.

Em Brasília… A semana será esvaziada no Congresso, embora alguns projetos possam ser votados. A Câmara, por exemplo, pautou para votação do projeto de lei que muda as condições de exploração de 5 bilhões de barris de petróleo nas áreas do pré-sal, concedidos à Petrobras por cessão onerosa. O Senado, entre outras coisas, analisará o decreto que permite a venda direta de etanol pelas usinas. Hoje, o presidente Temer viaja ao Paraguai, para encontro do Mercosul. Por algumas horas, a presidente do Supremo Cármen Lúcia assumirá a Presidência.

Bolsonaro, e seu “pacotão”… O Estadão comenta hoje que o candidato Jair Bolsonaro (PSL), junto com o economista Paulo Guedes, tem trabalho num “pacotão” econômico, com diretrizes liberais. Há poucos dias, comentamos que o seu plano de governo deve ser divulgado em breve. Tenta desvincular-se das ideias que tanto defendeu nos últimos anos, aderindo às ideias de Guedes, que falam em privatizações e Estado menor. De qualquer forma, vale notar: Bolsonaro já começou a falar dos aspectos econômicos que defenderá. Um deles, segundo entrevista no jornal, será a diminuição dos impostos…

“Na questão política, ele me ouve. Assim como eu ouço ele na economia. Essa conjunção está dando certo. Estamos namorando.”, afirma Jair Bolsonaro, referindo-se a Paulo Guedes.

Agenda de hoje… No front macro, além do Boletim Focus (veja a seguir), sairá a balança comercial semanal (15h). O BC já sinalizou que continuará atuante no mercado cambial. Após colocar US$24,5 bi em swaps na semana passada, deve colocar outros US$10 bi nesta. Mas tudo está sujeito às necessidades. O BC ofertará até 8,8 mil contratos de swap cambial para a rolagem de contratos de julho. O Tesouro realizará leilões de compra e venda de títulos. Vale lembrar: é dia de vencimento de opções sobre ações.

Boletim Focus… O mercado revisou para cima as projeções da inflação para 2018 e 2019, agora em 3,88% e 4,10%, respectivamente. Espera-se um câmbio também mais altos, de R$3,63 no final deste ano, e R$3,60 no final de 2019. As projeções para o PIB, por outro lado, foram revisadas para baixo, agora em 1,76% e 2,70%, respectivamente. Neste contexto, o mercado manteve as projeções para a Selic, de 6,50% no final deste ano, e de 8,00% no final do próximo ano.

E os mercados hoje? Temos um viés mais negativo para os mercados locais, com bolsa em baixa e alta de dólar e DIs, em dia menos favorável no exterior e ainda poucas definições no quadro político local. Além disso, continuamos a observar menores projeções de PIB para 2018 e 2019, e crescente ceticismo dos investidores. Apesar das atuações de BC e Tesouro, o mercado deve ficar mais cauteloso, às vésperas da decisão do Copom desta semana (decisões serão comunicadas na 4ª, dia 20).

 

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,93%, aos 70.758 pontos;
Real/Dólar: : -2,01%, cotado a R$3,729;
Dólar Index: +0,10%, 94,788;
DI Jan/21: -37 pontos base, 9,980%
S&P 500: -0,10% aos 2.779 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Braskem: Oferta da LyondellBasell pela Braskem deve ser estendida a todos os sócios
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Direitista Iván duque é eleito novo presidente da Colômbia
– Estudiosos pedem mais rigor após 10 anos de Lei Seca
– Luiz Felipe Pondé: Dizer que crianças não têm sexo é tortura de gênero
– Investimento estrangeiro cai 30% em 4 meses

O Estado de São Paulo
– Brasil trava na Suíça
– Tabelar frete é ilegal e estimula formação de cartel, diz Cade
– Leandro Daiello: “Há material para mais 5 anos de operações”
– 70% dos senadores da Lava-Jato vão tentar reeleição

O Globo
– Com gol polêmico da Suíça, Brasil só empata
– Sem reforma e com gasto em alta, cresce risco de paralisia
– Direitista vence eleições presidenciais na Colômbia
– PF investiga fraude também em repasses a sindicatos

Valor Econômico
– Recuperação pós-greve frustra as expectativas
– Sem Braskem, Odebrecht vai virar gestora

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

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Rafael Gad
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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional. Twitter: @IgnacioCrespo10

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