Novo ano, novas previsões!

Janeiro é o mês no qual pipocam as previsões e palpites sobre quais serão os melhores investimentos do ano. Se você também quer saber qual será o melhor investimento em 2018, um aviso:

Você está se fazendo a pergunta errada.

É impossível saber de antemão qual será o melhor investimento do ano que está por vir. É claro que alguém irá acertar. São muitas pessoas tentando acertar isso, mas é muito improvável que isso seja fruto de um conhecimento superior e que seja algo replicável ao longo de vários anos.

A pergunta certa a se fazer é:

Qual o investimento mais adequado para mim neste momento?

Ao se fazer esta pergunta você precisará passar por uma profunda reflexão sobre:

  • seus objetivos de vida;
  • a função de cada investimento em relação a estes objetivos;
  • seu perfil de investidor;
  • o quanto de risco você aguenta;
  • o quanto de risco sua carteira de investimentos realmente precisa ter;
  • o quanto de liquidez você precisa no curto prazo.

Além de várias outras questões pertinentes a se fazer antes de sair comprando qualquer ativo apenas porque acha que ele vai subir mais que os outros no próximo ano.

De qualquer forma, este texto não será apenas sobre o quão difícil, para não dizer quase impossível, é prever o futuro. Farei um breve comentário sobre o que acreditamos serem cenários possíveis para as principais classes de ativo em 2018.

O importante é ter em mente que você precisa saber quando utilizar cada um destes investimentos, entender a função de cada classe de ativos e reconhecer se você tem perfil ou não para determinado tipo de investimento.

Vamos lá…

Renda fixa pós-fixado

Com a queda da taxa Selic, atualmente em 7% ao ano, os títulos pós-fixados passam a render menos. Para o investidor acostumado com a ideia de 1% ao mês, sem risco de oscilação, é bom se acostumar ao novo cenário.

Estas aplicações ficarão agora na cada dos 0,56% ao mês, com o mercado já precificando novas quedas na Selic, ou seja, com potencial de fechar o ano rendendo ainda menos que isso.

O bom momento da economia, no entanto, deve favorecer novas emissões de títulos privados, com uma taxa um pouco maior, porém com maior risco e menor liquidez.

Renda fixa prefixada

A rápida queda da SELIC no último ano foi muito positiva para esta classe. Fundos e títulos prefixados tiveram um desempenho superior ao CDI nos últimos dois anos.

É pouco provável que vejamos um comportamento assim neste ano. Entretanto, para quem quer fazer um investimento de um ou dois anos, pode ser interessante comprar um CDB prefixado ou uma LTN ao invés de um CDB pós ou uma LFT. Mas já aviso, o ganho pode ser marginal, nada que vá deixar ninguém rico.

Renda fixa inflação

As séries intermediárias e as longas do Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros (2035; 2045 e 2050) ainda negociam com taxas acima de 5% ao ano.

Pensar em 5% ao ano, em termos reais, me parece algo muito bom. Em minha opinião, a ideia aqui tem que ser a de comprar para carregar até o vencimento. Vender apenas se houver algum fechamento muito forte da curva e um lucro inesperado ocorrer.

A ressalva, no entanto, é que a volatilidade nestas séries deve ser grande ao longo de um ano eleitoral e assustar aqueles mais conservadores. Porém, oportunidades de taxas ainda mais gordas podem aparecer nos momentos em que as coisas parecerem piores. Fique de olho.

Fundos multimercado

A classe é ampla e aceita quase tudo. De forma mais ampla, acredito que o os gestores dos fundos Macro tem capacidade para navegar bem e até obter retornos significativos com as prováveis turbulências do próximo ano.

O desafio está em escolher o gestor que acertará mão. Para quem quer buscar baixa correlação com a bolsa, os fundos long and short são uma boa opção.

Fundos imobiliários

As fortes altas dos últimos dois anos foram motivadas diretamente pela queda da taxa juros. Imaginar novas altas, na mesma intensidade, para 2018 é difícil.

Porém, acredito que os fundos imobiliários ainda tenham oportunidades específicas. A melhora da economia traz consigo a redução de vacância e possíveis correções de contratos de aluguéis no futuro. Sendo assim, vale olhar com carinho para este ativo.

Além disso, para aqueles que buscam a geração de renda mensal, o incentivo fiscal sobre a distribuição de lucros destes fundos é muito interessante. Mas, lembre-se, fundos imobiliários são ativos de renda variável e podem trazer fortes emoções ao longo do ano.

Ações

É lugar comum falar que a bolsa será volátil em 2018, afinal, trata-se de ano eleitoral e, mais ainda, em que ano a bolsa não foi volátil?

É característica inerente das ações a oscilação de preços. E justamente esta volatilidade possivelmente exacerbada é que deve trazer grandes oportunidades de comprar para aqueles com sangue frio.

Imaginem um cenário em que um certo ex-presidente está à frente da corrida presidencial. Bolsa em queda. Momento de compra. Se ele não ganha e ganha alguém pró-mercado, a bolsa se recupera e grandes ganhos são auferidos. Se ele ganha e volta a ter um discurso conforme o de seu primeiro mandato, a bolsa pode se recuperar também.

Mas, e esse ele ganhar e não mudar o discurso?

Bom, estes são alguns dos riscos previsíveis, há inúmeros outros imprevisíveis. Tanto no Brasil quanto lá fora. Então, somente se aventure com ações se você tiver perfil para isso.

Conclusão

Não compre apenas porque ouviu falar que vai subir ou por medo de perder uma forte alta. Estas vêm e vão. Outras oportunidades virão.

Compre para o longo prazo e compre de forma adequada ao seu perfil. O custo psicológico pode ser muito maior que o custo da oportunidade perdida.

Enfim, estes são meus palpites para o próximo ano. A mensagem principal é que você só deve investir naquilo que conhece e respeitando seu perfil de risco.

Se você ainda não está familiarizado com o mercado, estude, comece a investir pequeno, adquira experiência. Não tente recuperar o tempo perdido de maneira abrupta e em um ano potencialmente turbulento.

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Ivens Gasparotto Filho Ivens Gasparotto Filho

Diretor Técnico

Atua há mais de 10 anos no mercado financeiro, trabalhando diretamente com investidores pessoa física e planejamento financeiro pessoal. É CFA charterholder, profissional certificado pelo CFA Institute, possui também a certificação de gestores CGA, da Anbima. Estudou Gestão de Portfólios de Ativos na London Business School, é pós-graduado em Finanças pela FGV e formado em Administração pela Universidade de Brasília.

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