Juros compostos: somente meio por cento

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É sabido que o conceito de juros compostos é classificado como a panaceia do planejamento financeiro, mas a grande verdade é que para o investidor do comum, aquele do dia-a-dia, se trata de um conceito extremamente abstrato, sendo difícil de se enxergar na prática. Eu costumo dizer que é tal como envelhecer, de repente notamos que o tempo passou.

O grande problema da abstração dos juros compostos é que normalmente notamos os seus efeitos somente ao final de um longuíssimo período. Outro agravante é que poucos de nós temos a paciência necessária de esperar até o momento do resgate (a colheita de todos os nossos esforços), por isso é difícil falar sobre este assunto.

Portanto, meu objetivo aqui é explicar, na prática, como tornar esta abstração mais clara.

Paul Merriman

O grande barato dos juros compostos é que ele costuma premiar até mesmo os mais impacientes. Um interessante podcast do Paul Merriman (o mesmo que já falamos sobre as 5 melhores lições sobre investimentos para a aposentadoria) deixa claro o poder que míseros 0,5% tem para mudar nossa realidade financeira.

Paul nos explica que se, por exemplo, você guardar R$ 5.000,00 por ano, o equivalente a um pouco mais de R$ 400,00 reais por mês, ao logo de 40 anos e que esse dinheiro renda, por exemplo, 8% ao ano, em valores nominais, você terá ao fim do período aproximadamente R$ 1,3 milhões.

Mas imagine que no lugar de 8%, seu patrimônio renda 8,5% ao ano. Você se aposentaria com mais ou menos R$ 1,5 milhões, um adicional de R$ 200.000,00 em seu patrimônio. Uma quantia que à primeira vista não parece ser o suficiente para mudar a sua vida, mas estes R$ 200.000,00 são equivalentes exatamente a quantia que você depositou ao longo destes 40 anos, os R$ 5.000,00 por ano. Botando as coisas em perspectiva você se dá conta que se aposenta com 15% mais, e que aquele 0,5% passa a não ser tão desprezível assim.

É claro que maiores retornos em seus investimentos sempre te ajudarão, mas a ideia neste post é mostrar que singelos 0,5% a mais no seu portfólio, não só em termos de rentabilidade, podem fazer uma diferença absurda no longo prazo.

A brincadeira com exemplos de juros compostos não para por aí.

Imagine agora o seguinte exemplo: uma pessoa com uma renda doméstica anual de R$ 75.000,00 e tendo 30 anos até a aposentadoria. Se levarmos em conta neste exemplo que esta pessoa tenha aumentos desta renda na casa de 2% ao ano (inflação + aumentos salariais) e que ela manterá proporção de poupar, digamos, 10% de sua renda anual e se assumirmos também retornos mais modestos que do exemplo anterior, algo como 6% ao ano, ao fim destes 30 anos esta pessoa terá em torno de 780 mil de patrimônio. Nada mal para um esforço pequeno, não acha?

Agora imagine acrescentar 0,5% a esta conta: ao invés de poupar 10% da renda anual, este mesmo indivíduo poupará 10,5% todos os anos e seu balanço final será de 820 mil! Se estressarmos este exercício e adicionarmos 0,5% em todas as premissas: 2,5% de aumento anual da renda, aumentar a parcela de poupança para 10,5% e aumentar a rentabilidade média para 6,5%, teremos ao fim do período um patrimônio de 947 mil.

Isto foi para o exemplo de 30 anos de acumulação, se aumentarmos um pouco mais o período, esta bola de neve cresce de maneira exponencial.

Espero que esta brincadeira com os números tenha ajudado você a perceber o quão poderoso 0,5% pode ser e que se trata mais que um conceito etéreo, papo de economista, etc.

Para finalizar, algumas dicas para seus investimentos que são sempre bem-vindas quando se deseja aproveitar ao máximo este poderoso mecanismo:

  • Mantenha os custos de seus investimentos baixos;
  • Aumente todos os anos, mesmo que de maneira moderada, o proporcional da sua poupança anual;
  • Trate seus investimentos mensais como uma conta obrigatória, assim como luz, internet, aluguel;
  • Busque sempre se aprimorar profissionalmente para ter aumentos de renda ao longo da vida;
  • Evite erros emocionais ou comportamentais no momento de investir, isso poderá servir como uma espécie de contrapeso indesejado aos benefícios dos juros compostos.
Hugo Paixão Hugo Paixão

Analista de Research e Alocação

Bacharel em economia pela Universidade de Brasília e Planejador Financeiro CFP® certificado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), atua há seis anos no mercado financeiro com passagens por instituições como Banco Modal e JGP Asset Management. Atualmente é analista de alocação da equipe técnica da Guide Investimentos. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/hugo-paix%C3%A3o-cfp%C2%AE-922b519b/

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