Introdução: No exterior, o ambiente para os ativos de risco ainda é favorável. As bolsas dos EUA sobem, após ganhos da sessão da Europa. Lá fora, o dólar segue em ligeira alta. Aqui, no Brasil, o Ibovespa não acompanha a melhora de humor dos mercados externos, e opera com viés baixista. DIs têm dia mais volátil; e o dólar mantém viés de alta, mesmo após atuações do BC no mercado de câmbio.


CENÁRIO EXTERNO: UM “OTIMISMO CAUTELOSO”.

Mercados… O dólar tem leve alta frente às principais moedas, e os juros das Treasuries sobem (10 anos ~2,96%). As commodities operam sem direções claras. O petróleo, em especial, tem dia de volatilidade, e já alternou entre as altas e baixas (o brent oscila entre US$ 76-77/barril). Na Europa, as bolsas encerram o dia com ganhos. Nos EUA, tanto o S&P 500 quanto o Dow Jones sobem. O índice VIX, um termômetro da aversão a risco, ainda opera em ligeira alta, sinalizando “certa” cautela dos investidores, em dia de atenções aos conflitos comerciais globais e geopolíticos.

O namoro… Em dia de agenda macro mais fraca, as atenções se voltam para o encontro de Trump e o líder norte coreano, Kim Jong Um. A reunião ocorrerá em Cingapura. O foco da conversa é o fim dos programas de mísseis e armas nucleares da Coreia do Norte, em troca de incentivos econômicos. Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, disse, em nota, que Trump está “completamente preparado” para as conversas e otimista de que o resultado será “satisfatório”.

Relações estremecidas… Após a reunião do G-7, realizada neste sábado (09), no Canadá, Justin Trudeau voltou a criticar a postura dos EUA ao impor tarifas contra aliados. Trump, em respostas, anunciou que não mudará a sua decisão final. Mais: Trump fez duras críticas ao premiê canadense, chamando-o de “muito desonesto” e “fraco”. O mercado permanece ainda mais cauteloso em meio à essa “crise” diplomática entre EUA e Canadá. Afinal, esse conflito sinaliza um risco ainda maior de novas tarifas e retaliações entre ambos os países.

De olho na agenda… Ainda vemos investidores adotando posturas mais defensivas. A semana é relevante em termos de agenda. Falamos disto no Mercados Hoje . Os destaques: (i) na 4ª (13), o Fed se reúne para discutir os próximos passos de sua política monetária; (ii) na 5ª (14), é a vez do BC europeu e; (iii) na 6ª (15), é a vez do BC japonês.


BRASIL: INCERTEZAS LOCAIS PERMANECEM.

Na B3… O Ibovespa não acompanha o melhor momento no exterior, e recua. O mercado precifica o ambiente de incertezas locais (políticas, em especial) e o índice oscila entre 72-73 mil pontos. No ano, mantém desempenho negativo próximo de 5%. Os reflexos também deste receio com o Brasil são observados via fluxo de recursos em bolsa. Investidores estrangeiros, no ano, retiram quase R$6 bi da bolsa local.

Um pouco mais sobre a B3… Figuram entre as altas os papéis da (i) CCR, em meio ao fluxo de notícias de revisão de acordo de acionistas; e (ii) os papéis de aviação — Azul e Gol –, em dia de dólar e petróleo mais fraco – algo que contribui para melhora de suas margens operacionais. Eletrobras também tem alta, após Tribunal Regional do Trabalho suspender a liminar que impedia ao leilão das suas distribuidoras. Na outra ponta, o setor financeiro pressiona o índice. Itaú, Bradesco, e Banco do Brasil recuam ao redor de 1%.

Câmbio e Juros… Apesar do dólar ainda firme no exterior, o real chegou a se valorizar frente à moeda dos EUA, reagindo ao anúncio do BC, de leilão de até 50 mil contratos de swap cambial. O ambiente ainda é de cautela para o mercado doméstico. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, também avança (próximo de 1%, aos 253 pontos base), refletindo esse quadro local permeado de incertezas. No mercado de juros, os DIs não mostram direção clara.

Um pouco mais sobre o câmbio…  Destaque a entrevista Ilan Goldfajn, presidente do BC, à agência Estado. Ilan reforçou que o cenário benigno para os mercados emergentes chegou ao fim, em meio ao contexto de normalização dos juros dos EUA e conflitos comerciais. Mais: quando perguntado sobre a volatilidade no mercado de câmbio, Ilan reforçou que o BC atuará a fim de evitar “novas turbulências” até quando for necessária. Ilan, mais uma vez, deixou claro que não há qualquer problema em utilizar as reservas internacionais.

“Se houver necessidade e demanda, vamos oferecer leilões de linha”, disse Ilan Goldfajn, presidente do BC, em entrevista.

Em suma… O Ibovespa acentua a queda, e caminha para a 4ª baixa consecutiva. O índice oscila entre 71-72 mil pontos, próximo das 14h. Por aqui, o ambiente político repleto de incertezas, e o quadro externo menos positivo para ativos de risco, pressionam para baixo o índice doméstico. O dia mais negativo para as commodities também não contribui para limitar as quedas dos ativos de riscos locais.


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : -0,89%, aos 72.296 pontos;
    Real/Dólar: +0,19%, cotado a R$3,715;
    Dólar Index: +0,05%, 93,585;
    DI Jan/21: +09 pontos base; 9,670%;
    S&P 500: +0,30%, aos 2.787 pontos.

    *Por volta das 15h17, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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