Introdução: No exterior, o cenário ainda é positivo para os ativos de risco. As bolsas da Europa encerraram a sessão em alta, e as bolsas de NY também avançam. Lá fora, investidores digerem os dados da economia americana. Já o dólar segue firme frente aos seus principais pares, e commodities têm viés misto. Por aqui, o Ibovespa passa por realização; enquanto DIs futuros avançam refletindo cautela dos investidores com a situação fiscal do país. 


CENÁRIO EXTERNO: mercados renovam o otimismo.

Sobre os mercados…  As bolsas globais renovam o otimismo na sessão desta 3ª feira. Os mercados não só da Europa, mas também dos EUA, operam com ganhos. Por trás desses movimentos, investidores reforçam a visão de um fortalecimento da economia global nesses próximos anos. O dólar se mantém firme frente às moedas do G-10 e emergentes, e o petróleo volta a ganhar forças, e é cotado mais próximo dos US$68,00/barril.

Nos EUA: dados sobre o mercado de trabalho… Segundo pesquisa JOLTS, houve uma criação de 5.879 mil novos postos de trabalho em novembro. Os dados vieram abaixo do esperado pelo consenso, mas pouco influenciaram no comportamento dos mercados. As projeções, segundo a Bloomberg, eram de uma criação de 6.025 mil novas vagas. No entanto, os números não alteram as perspectivas de um crescimento americano mais forte, e um mercado de trabalho ainda em níveis aquecidos.

Mais… Os dados dos EUA corroboram o cenário de elevação gradual dos juros, como falamos pela manhã, no Mercados Hoje. Afinal, a inflação do país segue abaixo da meta oficial do Fed. Aliás, Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, em evento nos EUA, reforçou esse quadro de 3 altas nos juros em 2018 – o cenário-base do Fed. Segundo Kashkari, há ainda um risco de a inflação permanecer muito fraca. Ou seja, é difícil, por ora, um ciclo de aperto monetário mais intenso do que o considerado pelo próprio Fed.

Barril em alta… Para as commodities, o quadro de hoje é misto. Para o petróleo, em especial, o dia é positivo. A commodity segue a sessão em alta, com investidores especulando sobre alguns preços de commodities mais altos para o ano. De pano de fundo, o mercado acompanha as tensões políticas entre Irã e EUA, que podem fazer com que Trump recue em relação ao acordo nuclear assinado em 2015. Isto pode influenciar nos movimentos da commodity nos próximos dias. Lembramos: acordo interrompia a oferta da commodity iraniana.


BRASIL: Ibovespa em realização; Dólar e DIs avançam; mas CDS recua.

Uma pausa… Por aqui, o Ibovespa opera em baixa desde o início do pregão, em um movimento de realização pontual. Vale ressaltar que o índice encerrou a sessão de ontem no 11ª dia consecutivo de alta, reportando recordes de fechamento sucessivos. No ano, o Ibovespa acumula valorização acima de 3%. Hoje, o índice se sustenta nos 79 mil pontos, pressionados pelo setor financeiro. Na outra ponta, com o quadro mais positivo para algumas commodities, Petrobras e Vale avançam.

Mais sobre o Ibovespa… O front corporativo segue sendo um dos principais direcionadores dos mercados locais. Os papéis da CSN são destaque positivo do índice, após rumores de avanços nas renegociações das dívidas das companhias e venda das ações que a CSN detém da Usiminas (confira mais no Guide Empresas de hoje). Já a Eletrobras, a principal baixa do índice, reflete as incertezas com relação à sua privatização.

Um pouco mais sobre a Eletrobras…O governo encaminhou ao Congresso, no último dia 29, a MP 814, relacionada à venda da empresa. O Congresso ainda resiste para aprovar a MP. Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, já disse que preferiria que esse processo de desestatização ocorresse por meio de um projeto de lei. Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, também ameaça rejeitar a MP e devolvê-la ao Planalto. O leilão das 6 distribuidoras também está próximo: é, em tese, previsto para abril. O tempo é curto, mas a perspectiva ainda é positiva, em nossa opinião. O Planalto também conta com este recurso para ganhar reforço de caixa.

Mais sobre os mercados… O real segue se depreciando frente ao dólar, em linha com a valorização da moeda dos EUA no mercado internacional. A percepção de risco-país, medida pelo CDS de 5 anos, opera em mais um dia de baixa – reflexo do exterior ainda favorável para ativos de riscos como um todo. Já os DIs futuros são pressionados para cima, em função das incertezas sobre o fiscal e as eleições presidenciais. Em suma: embora vejamos alguns movimentos de realização, mantemos uma perspectiva positiva para o segmento de renda variável local no médio prazo.

Rafael Gad Passos – Equipe Econômica


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,43%, aos 79.002 pontos;
Real/Dólar: +0,44%, cotado a R$3,250;
Dólar Index: +0,26%, 92,597;
DI Jan/21: +05 pontos base; 8,900%;
S&P 500: +0,32%, aos 2.756 pontos.

*Por volta das 15h29, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

Equipe Econômica

Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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