Segundo Tempo: fechando alianças

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Introdução: No exterior, segue o clima de menor aversão a risco. A volatilidade diminui. O mercado ainda digere o discurso de Draghi, do BC europeu. No Brasil, Ibovespa segue com viés baixista, mas Ibovespa, ao redor das 15h, operava próximo à estabilidade. DIs, dólar e percepção de risco país continuam em alta. Investidores monitoram as atuações do BC. No front político, Steinbruch pode ser o “escolhido” para ser o vice de Ciro Gomes. O quadro segue incerto.


CENÁRIO EXTERNO: RISK ON.

Mercados…  As bolsas da Europa reverteram as quedas desta manhã, e fecham a sessão no azul. Em NY, o S&P 500 sobe, acumulando ganhos de mais de 4% no ano. O dólar segue em alta frente a seus principais pares, especialmente frente ao euro, após reunião do BC europeu nesta manhã. Os juros das Treasuries recuam (10 anos abaixo de 2,95%). O petróleo (brent ) também recua, cotado na casa dos US$76/barril. O índice VIX, que mede a volatilidade lá fora, recuava mais de 7% ao redor das 15h.

Sobre o BC europeu… Além da decisão quanto às taxas de juros – que, em linha com o esperado, foram mantidas inalteradas -, investidores esperavam a fala de Mario Draghi, o presidente do BC europeu. Afinal, esperava-se que pudesse sinalizar o fim dos estímulos monetários (o chamado “QE”). Isto aconteceu. Draghi anunciou que o BC passará a comprar 15 bilhões de euros em títulos a partir de setembro, e terminará as compras em dezembro deste ano. Hoje, por mês, o BC compra mensalmente 30 bilhões em ativos. Tudo isto dependerá da evolução da conjuntura, mas a sinalização é de menores estímulos à frente. Além disso, o BC sinalizou que os juros continuarão baixos até o verão de 2019, ao menos.

Reflexos do BCE… Num 1º momento, a expectativa por uma política monetária menos frouxa puxou o euro para cima (valorização do euro frente ao dólar). Contudo, no final desta manhã, a moeda inverteu o movimento com a sinalização do BCE de um aperto monetário ainda gradual. Ao redor das 15h, o euro valia US$1,16. No ano, recua 3,3%.

Início dos jogos… Às 12h, começou o 1º jogo da Copa do Mundo da Rússia. O presidente russo, Vladimir Putin, em discurso de abertura, retratou as tentativas de alguns países do Ocidente em isolá-lo. Afinal, Putin ainda enfrenta sanções do Ocidente desde quando tomou a península da Crimeia da Ucrânia há 4 anos. A Rússia venceu a Arábia Saudita por 5 a 0.

“Tentativas de boicote foram destinadas ao fracasso desde o início”,disse Vitaly Mutko, vice-primeiro-ministro, e aliado de Putin.


BRASIL: IBOVESPA SEGUEM COM VIÉS BAIXISTA; ENQUANTO DÓLAR E DIS AVANÇAM.

Mercados… O Ibovespa segue instável, mas mantém o viés baixista, em linha com o esperado. O índice oscila perto dos 72 mil pontos No ano, recua entre 5-6%. O dólar voltou a acelerar, e sobe, apesar das atuações do BC no mercado de câmbio pela manhã. Os DIs seguem com viés altista, acompanhando essa maior percepção de risco país. O CDS de 5 anos oscila em torno de 270 pontos base. O ambiente político incerto se sobrepõe ao quadro externo, ligeiramente mais favorável.

Sobre o Ibovespa… O fluxo de notícias no âmbito corporativo dá tom aos negócios. BRF tem a maior alta, na expectativa de que Pedro Parente assuma o cargo de CEO da Companhia (veja mais no Guide Empresas). Também são destaques de alta: Eletrobras, em meio ao avanço do processo de desestatização de suas distribuidoras; e Petrobras, após aprovação (em requerimento de urgência) do projeto de lei sobre a cessão onerosa (falamos disto no Mercados Hoje).

À espera de um convite… Benjamin Steinbruch, principal executivo da CSN, está pronto para entrar (como vice presidente de Ciro Gomes, do PDT) na corrida eleitoral deste ano. Segundo a Reuters, o executivo espera um convite “formal” de Ciro. A amizade é antiga entre Ciro e Steibruch. Aliás, Ciro já foi diretor da CSN e presidente da Transnordestina Logística, uma subsidiária da CSN, até maio de 2016. Vale lembrar: há 2 semanas, Steinbruch pediu afastamento do seu cargo na Fiesp – algo que abre caminho para que assuma a corrida eleitoral.

Fechando alianças… Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, sinalizou que seu partido, o PSD, deverá apoiar Alckmin (PSDB), o atual pré-candidato à Presidência tucano, nas eleições de outubro. Kassab acredita que Alckmin tem potencial para avançar nas pesquisas eleitorais durante a campanha e tem boas condições de vencer a corrida ao Planalto.

“Ele tem boas condições e muito possivelmente é o candidato que o nosso partido vai apoiar, o Geraldo Alckmin”, disse Kassab a imprensa após participar de evento do ministério.

Um último comentário… Em nossa opinião, o ambiente ainda demanda cautela por aqui. Reforçamos isto no Mercados Hoje, pela manhã. Nestes próximos 2-3 meses o quadro deve ser de forte volatilidade em meio ao front político incerto, e à espera de formalização de alianças entre os partidos. Do lado macro, os juros não cairão mais (aliás, o mercado começa a precificar altas de juros no curto prazo), em meio a projeções de PIB em baixa. Isto não traz nenhum fôlego aos ativos de risco. Por fim, do lado externo, o cenário é ainda desafiador para os emergentes. Falamos disto em um texto do blog hoje: “Juros mais altos nos EUA: uma surpresa?”.


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : -0,10%, aos 71.983 pontos;
    Real/Dólar: +1,48%, cotado a R$3,776;
    Dólar Index: +1,25%, 94,715;
    DI Jan/21: +46 pontos base; 10,400%;
    S&P 500: +0,29%, aos 2.784 pontos.

    *Por volta das 14h48, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Ignacio Crespo Ignacio Crespo

    Economista

    Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional. Twitter: @IgnacioCrespo10

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