Mercados Hoje: uma tendência que persiste

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Introdução: Vemos uma menor aversão a risco no exterior; um dólar mais fraco e bolsas em alta na Europa. No entanto, a percepção de risco país, aqui no Brasil, segue elevada. A tendência negativa ainda persiste, embora possamos ver, em momentos mais pontuais, alguma “correção”. No exterior, os EUA seguem fortes, e Fed deve subir os juros na semana que vem. Aqui, cresce expectativa de elevação de Selic, mas ainda vemos a taxa em 6,50% por mais tempo. O BC se mostra mais “atuante”; e o governo tenta “despolitizar” decisão sobre reajustes de combustíveis.


CENÁRIO EXTERNO: EUA FORTES, E FIM DE QE NA EUROPA?

O “básico” sobre os mercados… Baixa aversão a risco; bolsas em alta na Europa, após boa sessão na Ásia. O petróleo, no entanto, segue com um viés mais baixista (brent ~US$75/barril), à espera da Opep neste mês. O minério de ferro subiu 0,33% na China, cotado a US$66,56/tonelada. O dólar opera mais fraco (frente a principais pares e países emergentes); mas os juros das Treasuries operam em leve alta (10 anos próximo de 2,95%).

EUA seguem fortes… Saíram ontem dados sobre o setor de serviços (índices PMI e ISM), referentes ao mês de maio. Estes mostraram aceleração frente a abril, e ficaram acima do esperado pelos analistas. Contribui, ainda pela manhã, para a valorização do dólar no mundo. Na próxima semana (4ª, dia 13), o Fed deve voltar a subir os juros por lá, de 1,50-1,75% para 1,75-2,00% ao ano. Será a 2ª elevação em 2018. A 7ª desde a saída da crise financeira. Até o final deste ano, os juros podem atingir o patamar de 2,25-2,50% (se, ao todo, tivermos 4 elevações).

Europa discute o fim do QE… Na próxima semana, a reunião do BC europeu será em Riga, a capital da Letônia. Segundo fontes da própria instituição, será discutido o fim do programa de estímulos monetários, conhecido como quantitative easing (QE, na sigla em inglês). Cresce no mercado, portanto, a expectativa que isto possa acontecer ainda em 2018. Elevação de juros, no entanto, apenas no 2º semestre de 2019, ao que tudo indica.

Na agenda de hoje… Nos EUA, é dia de agenda relativamente “tranquila”. Saem dados de produtividade e custo unitário do trabalho, referente ao 1º trimestre (9h30); balança comercial de abril (9h30); e estoques de petróleo bruto (11h30).


BRASIL: A TENDÊNCIA (NEGATIVA) PARECE PERSISTIR.

Mercados, e eleições… Começamos a ver, de forma mais clara, pesquisas eleitorais influenciando nos mercados locais. Até aqui, em nossa opinião, grande parte dos movimentos – em 2018, o Ibovespa está no zero a zero; o dólar sobe 15%; e CDS de 5 anos sobe 48% — deve-se ao cenário internacional. A partir de agora, parece-nos que, de forma crescente, as eleições de outubro ganharão espaço. Lembramos: domingo (10), sairá uma pesquisa Datafolha.

Pesquisa DataPoder360… Os dados saiam na 2ª à noite (04), fizeram preço ontem (5), mas vale repeti-los aqui, dada a sua importância. Bolsonaro (PSL) oscila entre 21-25%; Ciro (PDT), em 2º, fica com 11-12%; Marina (Rede) com 6-7%; Fernando Haddad (PT) com 6-8%; e Alckmin (PSDB) com 6-7%. Aliás, quando testado João Dória (PSDB) no lugar de Alckmin, o resultado também é fraco: 6% dos votos.

Agenda dos presidenciáveis… 11 dos atuais pré-candidatos ao Planalto serão sabatinados hoje, na sede do Correio Braziliense, em Brasília. O evento é realizado com o apoio do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal no Brasil. Nesta ordem: Rodrigo Maia (DEM) às 9h; Marina (Rede) às 10h; Meirelles (MDB) às 11h; Bolsonaro (PSL) às 12h; Alvaro Dias (Podemos) às 14h; Ciro Gomes (PDT) às 15h; Paulo Rabello de Castro (PSC) às 16h; Manuela D’Ávila (PC do B) às 17h; Guilherme Afif Domingos (PSD) às 18h; Flávio Rocha (PRB) às 19h; e Alckmin (PSDB) às 20h.

Atuação do BC… O BC dá continuidade hoje à oferta de 15 mil contratos de swap cambial (US$ 750 mi), além do leilão regular de rolagem (8,8 mil, ou US$ 440 mi). Ontem, após oscilações do câmbio, a instituição decidiu entrar no mercado (no total, injetou US$ 1,866 bi no sistema – o maior montante desde maio de 2017). Seguirá, em nossa opinião, atento aos movimentos de mercado, pronto para atuar, quando julgar necessário.

Sobre mercados, juros e reação ao cenário… Tem crescido no mercado a expectativa de elevação de Selic, já nos próximos meses. Ainda acreditamos que é cedo pensar em aumentos, e vemos a taxa em 6,50% até, ao menos, o final deste ano. De qualquer forma, é inegável: o mercado “piorou”, e a curva de juros hoje embute um elevado prêmio de risco. O DI para jan/21 está em 9,05%. Na mínima do ano (18 de abril), fechou em 7,86%. Acreditamos que alguns movimentos podem ter sido “excessivos”, mas é difícil acreditar que, no curto prazo, com incertezas crescentes no front político, os prêmios diminuirão de forma significativa.

Agenda de hoje… É dia mais fraco em termos macro, aqui e no exterior. A tendência desfavorável para os mercados locais continua, em nossa opinião. Aparentemente, ao menos até julho o “centro” continuará fragmentado. Mas vale salientar: é possível que, após movimentos fortes, vejamos correções pontuais. Hoje, este pode ser o caso, ligeiramente mais positivo para emergentes no exterior. A percepção de risco país (CDS 5 anos) tem ligeira alta, ao redor de 238 pontos base.

 

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -2,49%, aos 76.642 pontos;
Real/Dólar: : +1,70%, cotado a R$3,809;
Dólar Index: -0,17%, 93,876;
DI Jan/21: +29 pontos base, 9,050%;
S&P 500: +0,07% aos 2.749 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Petrobras: Processo de venda da TAG
Impacto: Marginalmente Negativo.

Setor de Alimentos: Fusão entre BRF e Minerva voltam a ser cogitadas
Impacto: Marginalmente Positivo.

Vale: Petros pode vender parte das ações da Vale até fim do ano
Impacto: Neutro.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Governo usa agência para intervir nos combustíveis
– Em 1ª fala após prisão, Lula critica denuncismo
– Dólar tem maior valor desde março de 2016, R$ 3,81
– Em 11 anos, assassinatos de jovens crescem 23%

O Estado de São Paulo
– Sob pressão do agronegócio, governo reverá tabela do frete
– ANP intervém em política de preços da Petrobras
– Deputados de SP elevam teto de servidores para R$ 30 mil
– Para TCU, 44% das renúncias fiscais não têm controle

O Globo
– Brasil supera a marca de 62 mil homicídios por ano
– Guerra de facções aterroriza o Leme
– Alckmin reclama de aliados do PSDB
– Lula, Cabral e Bretas em tom amistoso

Valor Econômico
– Tabela de fretes paralisa mercado de grãos no país
– Tensão cresce no comércio internacional e afeta mercados
– Eletrobras pode dividir leilão de distribuidores
– Reforma proposta a Ciro cria dois regimes de previdência

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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