Mercados Hoje: seremos o próximo?

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Introdução: No exterior, a aversão a risco segue relativamente mais baixa. As bolsas sobem na Europa; e o dólar opera um pouco mais fraco. Algumas moedas de emergentes têm alívio. A Turquia, no entanto, surpreendeu: elevou os juros para 17,75%. Seremos o próximo país a precisar elevar juros, após exemplos de Turquia, Argentina e Índia? Commodities operam com viés mais positivo hoje. No Brasil, mercados mantêm viés mais negativo, diante de perspectivas eleitorais, e um exterior desafiador. Hoje, o BC e o Tesouro tentam oferecer mais liquidez ao mercado. A ANP realiza a 4ª Rodada de Partilha da Produção do Pré-sal.


CENÁRIO EXTERNO: AVERSÃO A RISCO SEGUE MAIS BAIXA; TURQUIA ELEVA JUROS.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas da Europa operam em alta, após ganhos de 0,87% no índice Nikkei, do Japão. Nos EUA, o S&P futuro opera próximo à estabilidade. O dólar segue mais fraco lá fora, e algumas moedas de emergentes conseguem se valorizar. Mas isto não é um movimento único. Entre commodities, um viés mais positivo. O petróleo (brent ) oscila na casa de US$76/barril. O minério de ferro subiu 0,42% na China, cotado a US$66,84/tonelada. Os juros das Treasuries, por outro lado, seguem com viés altista (10 anos ao redor de 2,98%). É dia de aversão a risco relativamente baixa no exterior.

Emergentes no foco… O BC da Turquia decidiu elevar hoje, de forma inesperada, a sua taxa de juros para 17,75% (elevação de 125 bps) – a 3ª vez em menos de 2 meses. A decisão veio após a inflação ir para 12,15% em maio. Outros emergentes – como Argentina e Índia – também têm ido nesta direção de juros mais altos, tentando conter pressões do câmbio sobre a inflação, e saída de capitais.

“Depois de Argentina e Turquia, o Brasil será o próximo a enfrentar disrupção em seu mercado de câmbio?”, Mohamed A. El-Erian, economista.

Reunião do “G-7”, ou “G-6 + 1”? Líderes do grupo de países G-7 se reúnem esta semana no Canadá, e há crescente pressão – e atenção da mídia – sobre os EUA. Afinal, Trump tem adotado restrições comerciais com outros países que, na sequência, começam a fazer retaliações. O presidente dos EUA deve participar no evento na 6ª (amanhã) e sábado. Na sequência.

Na agenda de hoje… Nos EUA, saem os pedidos de auxílio desemprego (9h30); índice de conforto do consumidor, divulgado pela Bloomberg (10h45); e dados de crédito ao consumidor (16h).


BRASIL: BC E TESOURO TENTAM ALIVIAR TENSÕES NOS MERCADOS.

Quebra de sigilo… A PF pediu ao STF a quebra de sigilo telefônico do presidente Temer e dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia). Todos são investigados por suposto recebimento de propina da Odebrecht. Acumulam-se fragilidades.

Mais fragilidades… O Estado de MG lidera o ranking de ônibus queimados. Em 2018, já são 85 casos — 56% dos 150 queimados em todo o país, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Ontem, policiais civis e militares, bombeiros e agentes carcerários invadiram o Palácio da Liberdade, em Minas, pedindo aumento salarial. Em suma: mais fragilidades.

Acordo ameaçado… Segundo os jornais locais (Estadão e Folha), menos de 1 semana após o seu anúncio, o pacote do governo para encerrar a greve dos caminhoneiros está ameaçado. Afinal, não só desagrada a outros setores, como recorre a “medidas consideradas inconstitucionais”.

Eleições presidenciais: Ciro e Steinbruch? No Painel, da Folha, é ventilado que Benjamin Steinbruch, da CSN, e filiado ao PP, enviou uma carta à Fiesp ontem, comunicando seu afastamento temporário da função de vice-presidente da instituição. Com isso, pode disputar a eleição de outubro. Ele é cotado para ser candidato a vice na chapa de Ciro Gomes (PDT). Registre-se: Ciro já disse que Steinbruch “responde perfeitamente” ao perfil que busca.

BC e Tesouro tentam diminuir pressões nos mercados… O BC realiza hoje operações compromissadas (mais longas, de 9 meses, e não 3 ou 6 como estamos acostumados), e Tesouro faz compra e recompra de títulos “frente à manutenção do cenário de volatilidade”. Em suma: são medidas que visam dar maior tranquilidade aos mercados, em tempos de tensão por aqui.

Anfavea: produção de veículos… Segundo a Anfavea, a produção nacional de autoveículos recuou 15,5% em maio, na comparação com maio de 2017. Em abril, havia crescido 39,3% a/a. Em 12 meses, se elevou 17,9%, após 23,3% no mês anterior. Este é um claro reflexo da greve dos caminhoneiros. Vale lembrar que no dia 24 (4º dia da greve), a Anfavea anunciou a paralização total das montadoras do país a partir do dia seguinte, por falta de condições.

Agenda de hoje… No front macro, é dia de agenda esvaziada por aqui. O Tesouro faz leilões de LTN, LFT e NTN-F (11h30). Além disso, a ANP realiza a 4ª Rodada de Partilha da Produção do Pré-sal e irá oferecer as áreas de Itaimbezinho, Três Marias, Dois Irmãos e Uirapuru, com bônus de assinatura total de R$ 3,2 bi. O leilão será no RJ, a partir das 9h.

E os mercados hoje? O risco país segue com viés altista no dia de hoje (medido pelo CDS de 5 anos, oscila ao redor de 245 pontos base). Mantemos um viés mais negativo para ativos locais, diante de incertezas crescentes. Nos últimos dias, a incerteza política começou a entrar mais no radar. Assim, temos um viés ainda altista para os mercados de dólar e juros. Em bolsa, a melhora do exterior e das commodities tende a trazer uma sustentação.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,68%, aos 76.117 pontos;
Real/Dólar: : +1,09%, cotado a R$3,851;
Dólar Index: -0,28%, 93,614;
DI Jan/21: +18 pontos base, 9,230%;
S&P 500: +0,86% aos 2.773 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Setor Imobiliário: PL do distrato vira jogo a favor das incorporadoras
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Concessão de Temer aos caminhoneiros espalha conflitos
– Lauro Carvalho: Subsídio à compra de caminhões não causou paralisação
– Dólar chega a R$ 3,84; guru dos mercados fala em crise
– Servidores da Segurança Pública invadem Palácio da Liberdade, sede do governo de MG

O Estado de São Paulo
– Acordo ameaçado
– PF quer quebrar sigilo telefônico de Temer e de ministros
– Plano prevê uso de militares da reserva na polícia do Rio
– Câmara aprova multa de 50% para devolução de imóvel

O Globo
– Prefeitura do Rio tem 300 obras paradas
– Setor produtivo protesta, e tabela de preço de fretes muda
– Adversários partem para o ataque a Bolsonaro
– PF pede quebra de sigilo de Temer e ministros

Valor Econômico
– Apesar do dólar, BC mantém juro
– Divergências adiam nova tabela de frete
– Empreiteiras agora policiam licitações
– A vida “ficou mais leve” para Barroso, um juiz severo

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional. Twitter: @IgnacioCrespo10

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