Mercados Hoje: quem paga a conta?

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Introdução: Investidores digerem elevação de tarifas americanas, que aumentam o risco de uma “guerra comercial”. Enquanto isso, na Europa, a situação política na Itália se acomoda, e a Espanha lida com a saída do premiê Mariano Rajoy. Nos EUA, atenção ao Relatório de Empregos de maio. O dólar opera estável no exterior. No Brasil, custo da “bolsa caminhoneiro” segue sendo discutido. Quem pagará a conta? Mercados locais se ajustarão ao feriado de ontem, que foi negativo para ativos de risco no exterior.


CENÁRIO EXTERNO: DIA DE RELATÓRIO NOS EUA.

O “básico” sobre os mercados… O índice S&P futuro (EUA) e as bolsas da Europa sobem. Aliás, o índice italiano (FTSE MIB) lidera os ganhos. O yield dos títulos italianos recuam, após populistas formarem novo governo incluindo o economista Giovanni Tria como ministro das finanças – alguém visto como mais pró-Europa do que a indicação anterior. O dólar se mantém próximo à estabilidade, enquanto os juros das Treasuries sobem (10 anos ao redor de 2,88%). O petróleo (brent) opera na casa dos US$77/barril; o minério de ferro subiu 1,29% na China, cotado a US$66,16/tonelada.

Receios de guerra comercial… O dia de ontem – feriado aqui no Brasil – foi negativo para os ativos de risco. As moedas dos emergentes se depreciaram, diante de receios de guerra comercial. Aliás, nos EUA, as bolsas recuaram (S&P 500 -0,7%; Dow Jones -1,0%). Na sequencia, as bolsas de Japão (Nikkei) e China (Xangai) recuaram na última sessão asiática. O governo dos EUA decidiu taxar o alumínio importado do Canadá, México e União Europeia. Esta decisão levará à adoção de medidas retaliatórias aos produtos americanos destes importantes parceiros comerciais, é claro.

Sobre a crise política na Europa… Enquanto a situação italiana se acomoda (o presidente Sergio Mattarella aceitou a indicação para ministro das Finanças dos partidos radicais La Liga e Movimento 5 Estrelas), investidores digerem a situação na Espanha. O premiê Mariano Rajoy deixa o posto e será substituído pelo socialista Pedro Sanchez, após escândalos de corrupção que o tiraram do poder. Vale ressaltar: ao contrário da Itália, a Espanha cresce de forma mais consistente, e não lida com partidos que querem tirar o país da União Europeia.

Sobre a inflação americana… Saiu ontem o índice PCE. Em 12 meses, a inflação permaneceu em 2,0% em abril, o mesmo patamar de março. Considerando o “núcleo” – medida menos volátil, por desconsiderar preços de energia e alimentos -, a inflação permaneceu em 1,8%. O número de março foi revisado para baixo, de 1,9% para 1,8%. Ainda está ligeiramente abaixo de 2,0%, a meta do Fed.

Na agenda de hoje… Nos EUA, é dia de agenda cheia. Além do Relatório de Empregos (9h30) – o destaque do dia! -, sairão 2 índices sobre o setor industrial: PMI (10h45) e ISM (11h). Todos os indicadores referem-se ao mês de maio.


BRASIL: INVESTIDORES DIGEREM OS CUSTOS DA “BOLSA CAMINHONEIRO”.

Qual é o custo das paralizações? Nos últimos dias, investidores – e a sociedade, de modo geral – têm discutido o custo das paralizações, e das concessões que o governo fez à categoria. O PIB deste ano deve crescer menos (parece-nos hoje mais provável 2,0%, e não mais 2,5%). No próximo Focus, a projeção de 2,37% certamente deverá cair mais. Aliás, o risco de o PIB ficar abaixo de 2,0%, após 1,0% de 2017, é crescente, em nossa opinião. A confiança vai sendo corroída, às vésperas das eleições presidenciais.

Mais sobre a “bolsa caminhoneiro”… Ainda discute-se quem é que, de fato, ganhará com as concessões feitas pelo governo. As distorções vão ficando claras. Para reduzir o preço do diesel em R$0,46, e bancar a conta de R$13,5 bi, R$4 bi virão do aumento de arrecadação (veja a seguir algumas medidas), mas os demais R$9,5 bi precisarão sair das chamadas “reservas financeiras” do governo, além de cortes de verbas em áreas como saúde.

Como bancar a redução de PIS/Cofins e Cide? A redução destes impostos sobre o diesel permitirão que o preço caia R$0,16. Isto terá um impacto de R$4 bi na arrecadação deste ano. Como compensar isto? A seguir, 4 pontos. Vale lembrar: a redução por um período limitado dos R$0,30 virão da Petrobras (os primeiros 15 dias) e do governo. Após 60 dias, os reajustes voltam a ser feitos (desta vez mensais e não diários).

• Revogação do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) com a extinção do crédito presumido de PIS/Cofins e PIS/Cofins-Importação relativos a produtos destinados à indústria petroquímica (R$170 mi);
• Redução da alíquota do Reintegra de 2% para 0,1% (R$2,27 bi);
• Redução de 20% para 4% do IPI em concentrados de bebidas da Zona Franca de Manaus. Esta medida reduzirá o crédito tributário que as empresas podem solicitar à Receita (R$740 mi);
• Reoneração da folha de pagamento (R$830 mi). O governo definiu que apenas 17 setores continuarão a contribuir para a Previdência Social com base no seu faturamento e não na folha. A Câmara Federal tinha aprovado esse benefício para 28 setores.

Agenda de hoje… No front macro, saem 2 índices sobre maio: índice PMI da indústria (10h), e balança comercial (15h). Além disso, saem os números da Fenabrave, sobre venda de automóveis (após 15h). O presidente Temer se reúne hoje com Pedro Parente, da Petrobras (11h).

E os mercados hoje? Os ativos locais devem se ajustar à sessão de ontem, que foi negativa para ativos de risco. A percepção de risco país continua em elevação. No momento, o CDS de 5 anos é de 229 pontos base. Ontem, o CDS subiu 4,3% — o 6º dia seguido de elevação. Ainda mantemos uma postura mais cautelosa, diante de revisões baixistas de PIB, risco político elevado e quadro externo pouco favorável para emergentes no curto prazo. Para hoje, o viés é negativo em bolsa, e de alta em DIs e dólar.

 

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,90%, aos 76.753 pontos;
Real/Dólar: -0,10%, cotado a R$3,7239;
Dólar Index*: +0,10%, 96,808;
DI Jan/21: -6 pontos base, 8.89%;
S&P 500: -0,69% aos 2.705 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Eletropaulo: Enel surpreende ao ofertar R$ 7,56 bi por Eletropaulo
Impacto: Positivo.

Cesp: Privatizações de Cesp e distribuidoras avançam
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– 87% apoiam a paralisação, mas rejeitam pagar a conta
– Postos de SP voltam a receber combustíveis
– Senadores aprovam reoneração, mas veto a PIS/Cofins caberá a Temer
– Advocacia-Geral da União cobra R$ 141 milhões de multas de transportadoras

O Estado de São Paulo
– Greve perde fôlego, mas desabastecimento preocupa
– “Única via dos militares até o poder é pelo voto”
– Medo de represálias dificulta desmobilização
– Senado aprova reoneração da folha

O Globo
– Setor produtivo acumula perdas bilionárias com greve
– Caminhoneiros reclamam de coação
– Greve de petroleiros marcada para hoje é declarada ilegal
– Traficantes invadem estações do BRT para vender drogas

Valor Econômico
– Surpresa do BC e greve castigam investidores
– Crise política na Itália afeta os mercados
– Combustíveis começam a voltar aos postos
– Ciro define proposta de pacote tributário

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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