Mercados Hoje: passar a borracha?

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Introdução: Investidores estão à espera dos dados de inflação ao consumidor nos EUA. O “núcleo”, em 12 meses, deve continuar em 1,8%. As bolsas operam mistas na Europa. O dólar misto frente a emergentes; e os juros dos títulos de 10 anos ao redor de 2,86%. No Brasil, as vendas no varejo de janeiro cresceram 0,9% em janeiro frente a dezembro, acima do esperado. O “caso-Lula” segue no radar. A sua prisão, segundo analistas, poderia vir no final de abril.


CENÁRIO EXTERNO: À ESPERA DA INFLAÇÃO AMERICANA.

O “básico” dos mercados… As bolsas da Europa operam próximas à estabilidade, sem direções claras. Na Ásia, a sessão foi mista: o Nikkei subiu 0,66%, enquanto o índice de Xangai recuou 0,49%. Nos EUA, o S&P futuro opera em alta. As commodities operam mistas: o brent ao redor de US$64,8/barril; e o minério de ferro, na China, recuou 0,21%, a US$69,78/tonelada. O dólar opera mais forte; os juros das Treasuries em baixa (10 anos ao redor de 2,86%).

O destaque: inflação americana… Às 9h30, sairá a inflação ao consumidor de fevereiro. Espera-se 0,2% frente a janeiro, após 0,5%; e 2,2% em 12 meses, após 2,1% de janeiro. Nesta última comparação, sem considerar preços de “alimentos” e “energia”, espera-se que siga em 1,8%. Pressões mais fortes devem pressionar o dólar para cima (à espera de alta de juros mais forte pelo Fed).

Sobre o setor financeiro americano… Em curso, está o plano para afrouxar a regulação financeira, imposta de forma mais rígida desde 2010. Em sua maioria, à frente desta bandeira, estão os republicanos, embora o apoio democrata pareça ser, ao menos até aqui, suficiente para tirar tais medidas do papel. Embora estas medidas possam aumentar o risco no médio/longo prazo, acreditamos que possam dar maior ânimo ao setor financeiro à frente. Bancos pequenos/médios, em tese, são os que mais se beneficiarão das flexibilizações propostas.

Na agenda de hoje… Nos EUA, além dos dados de inflação, investidores estão atentos a um novo leilão de títulos do Tesouro. Isto pode mexer com o mercado de juros.


BRASIL: VAREJO MOSTRA RECUPERAÇÃO EM JANEIRO.

Sobre o “caso-Lula”… Espera-se que os “embargos de declaração” sejam rejeitados no TRF-4. Na sequência, a defesa do ex-presidente pode apresentar – talvez na 1ª semana de abril – o chamado “embargo dos embargos”, um “recurso protelatório” . O TRF-4 deve permitir o recurso. E daí? O desfecho da novela não deve mudar, mas Lula poderá ganhar tempo. Será preso? Parece provável. Quando? Final de abril.

Jungmann, e suas previsões, pós-2019… Segundo fala de ontem do ministro da Segurança Pública Raul Jungmann, a intervenção no RJ poderia continuar no próximo ano. Mas dependerá de conversas entre o presidente e o governador eleito, é claro. Sobre o ministério que comanda? “Ninguém passa borracha nesse ministério. Ele veio para ficar”.

O PSD, e a corrida eleitoral… O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, sonha em concorrer ao Palácio do Planalto pelo PSD, partido que ajudou a fundar. A decisão do partido deve vir até julho. Portanto, a depender do cenário, Henrique Meirelles, que segue no PSD, pode precisar mudar de partido – algo que já temos comentado há semanas.

Geraldo, e a corrida eleitoral… O “giro” de Alckmin pelos EUA foi bem recebido, aponta Raymundo Costa, do Valor. Acompanhado de Pérsio Arida, sinalizou que quer um 1º ano de mandato para “propor, votar e aprovar” reformas. Nos próximos 40 dias, o tucano espera que (possíveis) candidaturas de Maia (DEM) e Meirelles (PSD) – outros nomes do chamado “centro” – sejam “filtradas”, e ele ganhe tração. A nossa opinião? Acreditamos que isto acontecerá, e o tucano, de fato, começará a ganhar forças.

Dança das cadeiras (ministeriais)… No Valor, comenta-se sobre a descompatibilização de ministros, para que possam concorrer nas eleições de outubro. Embora o prazo seja dia 7 de abril, quem tiver mandato parlamentar deve sair até o dia 26 de março. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, deve deixar o posto. Outros 7 ministros-deputados poderiam seguir os seus passos – algo que trará mudanças nas pastas de Transportes, Educação, e Minas e Energia, por exemplo.

A porta aberta de Ilan Goldfajn… Na próxima 4ª, dia 21, o BC deve anunciar uma redução da Selic, de 6,75% para 6,50%. Ontem, em evento em SP, Ilan voltou a corroborar tal expectativa: o “processo de inflação baixa prossegue [nos próximos meses]” – algo que possibilita “continuar a conjuntura atual” de política monetária. Para as demais reuniões, mantemos a cautela: parece-nos precipitado acreditar em novas quedas de juros.

Boas notícias do setor externo… Os números de março apontam para um superávit comercial ao redor de US$5,5 bi no mês. A 1ª semana (2 dias) teve um saldo de US$522 mi, enquanto a 2ª semana somou US$1,451 bi. No ano, o saldo acumulado é de US$9,648 bi.

Bônus perpétuo do Itaú… Corroborando o (ainda) bom momento do quadro internacional, o Itaú faz emissão de US$750 mi em bônus perpétuos subordinados. Ainda assim, vale notar: a operação, que saiu com uma taxa de 6,5% ao ano, ficou acima da taxa de 6,125%, na última emissão, de US$1,25 bi, em dezembro de 2017 – reflexo do aumento dos juros nos EUA.

Na agenda de hoje… No front macro, o IBGE divulgou as vendas do varejo de janeiro: crescimento de 0,9% frente a dezembro, acima dos 0,5% esperados. Frente a janeiro de 2017, houve um crescimento de 3,2%, contra 3,5% esperados pelo mercado. Além disso: o BC oferta até 14.000 contratos de swap cambial para rolagem de contratos de abril. No front micro, alguns balanços: pós-mercado, saem BR Distribuidora, Mills, Sonae Sierra e Tupy.

E os mercados hoje? Diante de um exterior misto, e do noticiário local, vemos um viés ligeiramente mais negativo para o Ibovespa hoje, e de alta nos mercados de juros e câmbio.

Ignacio Crespo – Economista


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,61%, aos 86.900 pontos;
Real/Dólar: +0,19%, cotado a R$3,262;
Dólar Index: -0,22%, 89,865;
DI Jan/21: -02 pontos base, 8,230%;
S&P 500: -0,13% aos 2.783 pontos.

 

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


EMPRESAS:

Aliansce: Resultado em linha com o esperado pelo mercado
Impacto: Neutro.

Fibria: Suzano e Paper Excellence travam disputa pelo controle da Fibria
Impacto: Positivo.

Ser: Ser Educacional negocia compra da Unigranrio
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Patrimônio de Aécio Neves triplica após a eleição de 2014
– Temer decide não elevar mistura de etanol na gasolina
– Putin faz ofensiva para levar eleitores da Rússia às urnas
– Mudança na lei facilitaria doações, dizem especialistas

O Estado de São Paulo
– Campo deve bater recorde de faturamento no ano
– Doria oficializa candidatura ao governo do Estado
– PT já admite prisão de Lula até a Páscoa
– Barroso muda indulto de Temer e exclui corrupto

O Globo
– Barroso exclui corruptos do indulto de Temer
– Enfim, sol e calor na reta final do verão
– Exército vai inspecionar a Polícia Militar
– Contrato suspeito na mão de amigos

Valor Econômico
– Paper Excellence entra na disputa pela Fibria
– Com “insider”, os Batista teriam ganho R$ 73 mi
– Agenda social define eleição, diz empresário
– Múltis pagam menos impostos

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional.

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