Mercados Hoje: Mudança de fase?

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Introdução: No último dia útil do semestre, o quadro internacional é mais positivo para os ativos de risco. Uma mudança de fase? As bolsas sobem na Europa, e as moedas dos emergentes se valorizam frente ao dólar. O petróleo e o minério de ferro sobem. Nos EUA, atenção à inflação (9h30). No Brasil, o STF tem seu último dia antes do recesso de julho; Lula teria escolhido Haddad como candidato; e Ciro estaria muito próximo de aliança com o PSB. Mas a incerteza segue elevada. No front macro, o desemprego caiu para 12,6%, segundo IBGE. Quanto à Copa do Mundo, mudança de fase: agora é mata-mata.


CENÁRIO EXTERNO: ATENÇÃO À INFLAÇÃO AMERICANA.

O “básico” sobre os mercados… As moedas dos emergentes se recuperam, e sobem frente ao dólar. As bolsas sobem na Europa, após boa sessão de ganhos na Ásia. Na China, o índice de Xangai subiu 2,17%. As commodities mostram viés altista. O petróleo (brent ) oscila na casa dos US$78/barril; o minério de ferro subiu 0,90% na China, cotado a US$65,02/tonelada. Nos EUA, o S&P futuro sobe; enquanto os juros das Treasuries registram leves altas (10 anos ~2,84%). O índice VIX recua 5% às 8h25, horário de Brasília.

EUA: fora da OMC? Esta especulação circula nos mercados, e pode voltar a colocar um viés mais negativo sobre as bolsas globais, no curtíssimo prazo. Investidores seguirão atentos à questão comercial. Por enquanto, isto fica num 2º plano…

Europa: inflação segue abaixo da meta… O índice de preços ao consumidor passou de 1,9% para 2,0% em junho, refletindo elevação dos preços de energia. Quando considerado o “núcleo”, ou seja, desconsiderando preços de energia e alimentos, a inflação passou de 1,1% para 1,0%. Ambas as leituras ficaram em linha com o esperado.

Sobre o petróleo… As cotações mantém um viés altista no curtíssimo prazo. Apesar do acordo de aumento de produção firmado pela Opep e não-Opep, o risco de redução na oferta da commodity, neste momento, vindo de alguns países como Canadá, Venezuela e Irã dá forças à tese de que os estoques globais devem cair. Vale notar: para prazos mais longos, as projeções do mercado não são tão favoráveis. Segundo a Bloomberg, espera-se um barril em US$76 no 4º tri deste ano. Para 2019, a mediana é de US$73/barril; para 2020, US$69/barril.

Sobre o petróleo… As cotações mantém um viés altista no curtíssimo prazo. Apesar do acordo de aumento de produção firmado pela Opep e não-Opep, o risco de redução na oferta da commodity, neste momento, vindo de alguns países como Canadá, Venezuela e Irã dá forças à tese de que os estoques globais devem cair. Vale notar: para prazos mais longos, as projeções do mercado não são tão favoráveis. Segundo a Bloomberg, espera-se um barril em US$76 no 4º tri deste ano. Para 2019, a mediana é de US$73/barril; para 2020, US$69/barril. 

Sobre a Copa do Mundo… Agora é mata-mata. O 1º jogo da nova fase será Argentina X França, amanhã, às 11h. Segundo o blog FiveThirtyEight , do estatístico Nate Silver, a probabilidade da Argentina ganhar o jogo é de 45%. De ganhar a Copa, apenas 5%. O Brasil aparece com 25% de probabilidade; seguido por Espanha, com 20%.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro: (1) renda e gastos pessoais (9h30); (2) inflação, medida pelo índice PCE (9h30); (3) índice PMI de Chicago (10h45); e (4) confiança do consumidor (11h). Na China, à noite (22h), saem índices PMI, sobre indústria e setor de serviços.


BRASIL: INCERTEZA SEGUE ELEVADA.

No Supremo (parte I)… Hoje é a última sessão do STF antes do recesso de julho (só voltam 1º de agosto). O imposto sindical estará na pauta (a partir das 9h). Até aqui, 2 ministros já deram o seu voto: Fachin votou a favor do recolhimento obrigatório; Luiz Fux abriu divergência.

No Supremo (parte II)… O mercado monitora a decisão quanto ao futuro do ex-presidente Lula. Carmen Lúcia já pode marcar a data do julgamento de seu pedido de liberdade, após Fachin ter submetido o caso ao plenário da Casa. No entanto, tem sido ventilado que a pauta ficará trancada até o fim do mandato de Carmen Lúcia, em setembro. Ou seja, desta forma, precisaria esperar até a posse de Dias Toffoli para ter esta possibilidade.

Sobre a pesquisa CNI/Ibope… Divulgada ontem pela manhã, não adicionou grandes novidades, em nossa opinião. Sem Lula, Bolsonaro (PSL) segue na liderança (17%), empatado tecnicamente com Marina (Rede), que tem 13%. Alckmin (PSDB) tem 6%, numericamente atrás de Ciro (PDT), com 8%. O total de “brancos/nulos” e que “não sabe/não respondeu” é de 41%. Foi feita entre os dias 21 e 24 de junho, e tem margem de erro de 2 p.p., para mais ou menos.

Haddad, o escolhido? Segundo o site da Veja, Lula teria escolhido Fernando Haddad como o candidato à presidência, indicando que não conta com a possibilidade de ficar em liberdade no curto prazo. A estratégia seria Haddad dizer que é Lula; e Lula dizer que é Haddad. Pesquisas já mostraram o potencial de transferência de votos, colocando o candidato petista entre os mais competitivos para ir ao 2º turno…

Ciro, próximo do PSB… Segundo matéria da Folha e Correio Braziliense, Ciro Gomes (PDT) estaria muito próximo de fechar uma aliança com o PSB. A reunião da Executiva Nacional do partido, que deve acontecer na semana que vem, servirá oficializar o acordo. Ciro diz conversar também com PP, DEM e Solidariedade, mas que nada será definido antes de meados de julho. Lembramos: o período das convenções dos partidos vai de 20 de julho a 5 de agosto.

Incerteza sobe em junho… Segundo o índice de incerteza (IIE-Br), calculado pelo Ibre (FGV), esta subiu 8,8% m/m no mês, acumulando alta de 16,5% em 2018 (aliás, subiu 22% nos últimos 4 meses!). Vale notar: o atual patamar é semelhante ao de maio de 2016, mês do impeachment de Dilma; e a maio de 2017, mês do “choque-JBS”. Acreditamos que a incerteza continuará elevada nos próximos meses.

Fiscal de maio abaixo do esperado… O resultado primário do governo central foi deficitário em R$11 bi – déficit que ficou acima do esperado pelo mercado, que era de R$9,9 bi. Para o setor público consolidado, a expectativa é de déficit de R$11,9 bi.

Relatório do BC e expectativa da Selic… O Relatório Trimestral de Inflação , divulgado ontem, entre outras coisas, nos faz manter a expectativa de manutenção da Selic no curto prazo. Afinal, nos 4 cenários traçados (sob diferentes hipóteses), até o final de 2019, o IPCA seguiria abaixo do centro da meta, de 4,25%. As projeções vão de 3,7% a 4,1%. Mais do que isso: se não houver algum “choque” pelo caminho (depreciação?), parece elevada a probabilidade de a Selic continuar em 6,50% por um período prolongado. Afinal, ao subir a Selic, o IPCA ficaria mais próximo de 3,7% do que de 4,1%.

Agenda de hoje… No front macro, 2 dados sobre maio: (1) PNAD Contínua, que mostrou o desemprego passando de 12,9% para 12,7% em maio; e (2) resultado primário do setor público consolidado (10h30). O Tesouro comenta relatório mensal da dívida de maio em entrevista coletiva (15h). Além disso, a Aneel definirá a bandeira tarifária de energia elétrica referente a julho. O BC faz leilão de venda de títulos públicos de R$5 bi, com compromisso de revenda em 9 meses.

E os mercados hoje? Diante da melhora do cenário externo, e do noticiário local, temos um viés mais positivo para ativos locais. Ou seja: bolsa em alta, e baixa em DIs e dólar. Vale lembrar: em dia de definição da Ptax, podemos ver alguma volatilidade adicional.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,64%, aos 71.766 pontos;
Real/Dólar: +0,1%, cotado a 3,8615;
Dólar Index: +0.02%, 95,312;
DI Jan/21: -20 pontos base; 9,35%;
S&P 500: +0.62% aos 2.716 Mil pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Petrobras: Mudança em regras do TCU impede leilão de áreas de pré sal neste ano
Impacto: Marginalmente Negativo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– 1 de cada 3 escolas da elite não atinge nota esperada no Enem
– Tite vai faturar na Copa R$ 10 milhões com aparições na TV
– Ataque a jornal nos EUA deixa cinco mortos
– Leilão de elétricas trará investimento de R$ 6 bilhões

O Estado de São Paulo
– Fachin manda pedido de liberdade de Lula a plenário
– Empatados tecnicamente, Bolsonaro e Marina lideram
– Nome ligados à Hypermarcas negociam delação na PGR
– 8,2 milhões vivem sob risco no país

O Globo
– Nova regra pode dobrar gastos com plano de saúde
– Rio cai de 5º para 11º lugar em bem-estar
– PRI deve ter a pior derrota da história
– Assembleia aprova aumento a TJ e MP

Valor Econômico
– Planos de saúde aumentam três vezes acima da inflação
– Indiana Sterlite é destaque em leilão da Aneel
– Bachelet alerta sobre “custos” de inação no clima
– Glencore pode comprar a rede de postos Ale

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
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Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional. Twitter: @IgnacioCrespo10

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