Mercados Hoje: economistas na mira

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Introdução: A aversão a risco segue baixa no exterior. O crescimento global segue forte: dados da economia europeia seguem fortes; e PIB chinês deve ter crescido ao redor de 6,9% em 2017, diz líder do país. No Brasil, pré-candidatos à Presidência começam a montar as suas equipes econômicas. A inflação, acima do esperado no curtíssimo prazo, diminui a probabilidade de uma Selic abaixo de 6,75%.


CENÁRIO EXTERNO: DUAS NOTÍCIAS RELEVANTES DA CHINA.

O “básico” dos mercados… As bolsas da Europa operam em baixa, após sessão mista na Ásia. Lá, o índice Nikkei fechou em queda de 0,33%, enquanto o índice de Xangai subiu 0,10%. Índice S&P futuro opera em leve alta. O dólar é misto frente aos emergentes, e próximo à estabilidade frente aos desenvolvidos. Os juros das Treasuries de 10 anos recuam (ao redor de 2,53%, após 5 dias de alta seguidos). Commodities com um viés mais positivo hoje.

Aceleeeera… Saiu mais um dado positivo na Zona do Euro. A produção industrial, em novembro, cresceu 3,2%, frente ao mesmo período de 2016. O mercado projetava 3,1%. Frente a outubro, cresceu 1,0%, acima dos 0,8% esperados. O bom momentum da região é corroborado pelo PIB alemão, que cresceu 2,2% em 2017 (acima dos 1,9% de 2016).

Não é bem assim… Da China, duas notícias que nos pareceram relevantes: (1) negou, oficialmente, estar considerando a possibilidade de reduzir ou interromper as suas compras de Treasuries; e (2) Li Keqiang, o primeiro-ministro, disse hoje que a economia cresceu ao redor de 6,9% em 2017 – pouco acima dos 6,8% projetados pelo FMI, em seu relatório mais recente. Em 2016, o país cresceu 6,7%.

Na agenda macro… Hoje, às 11h30, nos EUA, saem os preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês). Em 12 meses, devem ter ficado ao redor de 3%. No mesmo horário, saem os pedidos de auxílio desemprego. Às 18h30, W. Dudley, do Fed, faz discurso. Na Europa, sai a ata da última reunião do BC, às 10h30.


BRASIL: POUCAS MUDANÇAS DE CENÁRIO.

Na terra da garoa… Temer estará em SP, para consulta com médio urologista (visando garantir a sua ida ao Fórum de Davos, na Suíça, no final do mês). Também se reunirá com o seu advogado, Antonio Mariz. Afinal, tem até o dia 18 para responder 50 perguntas da PF sobre o inquérito do decreto dos portos.

Economistas na mira… Segundo o Valor, Pérsio Arida coordenará o programa de governo de Alckmin nas eleições presidenciais. José Roberto Mendonça de Barros e Roberto Giannetti da Fonseca serão outros 2 nomes por trás do programa do tucano. Quanto a Rodrigo Maia (DEM-RJ) – possível, e cada vez mais provável candidato ao Planalto –, matérias de jornais destacam as contribuições do economista Marcos Lisboa.

Algumas ideias… É neste contexto que as ideias destes economistas começam a ser mais exploradas. No Valor, Roberto Giannetti da Fonseca concede entrevista, abordando algumas de suas ideias: (i) ampla reforma da previdência ainda em 2019 (aproveitando o “capital político”); (ii) transformação da Petrobras em uma “corporação pura”; e (iii) possibilidade de taxação sobre a entrada de dólares com características especulativas.

Abaixo de 3%… Ao subir 0,44% em dezembro, frente a novembro, o IPCA terminou o ano de 2017 em alta de 2,95%. Ficou, portanto, abaixo do limite inferior da meta, de 3% (veja, aqui, a carta de Ilan dirigida a Meirelles, explicando tal comportamento). Em 2017, os preços administrados cresceram 8,0%, enquanto os livres cresceram meros 1,3%.

Projeções ao redor de 4%… Para janeiro, espera-se algum arrefecimento da inflação, com alívio em itens como passagens aéreas, e os preços de energia elétrica. O mercado, hoje, prevê avanço de 0,39% frente a dezembro. Para 2018, espera-se 3,95%. Os “top-5”, segundo o Boletim Focus, projetam 3,75%. Neste contexto, ainda vemos mais um corte de juros pelo BC…

E a Selic com isso? A inflação acima do esperado em dezembro diminuiu a expectativa de uma Selic abaixo de 6,75%, o nosso cenário-base. Cenários que traçavam uma Selic em 6,50%, ou até abaixo disto, perdem forças. Fortalece-se, portanto, o nosso: mais 1 corte de 25 pontos, no Copom de fevereiro (dias 6 e 7). A partir daí, o BC vai “avaliar”…

Na agenda macro… A 1ª prévia do IGP-M de janeiro acelerou 0,75% frente ao mês anterior, acima dos 0,65% esperados.

E os mercados hoje? Poucas mudanças relevantes de noticiário nas últimas horas. A bolsa tende a seguir o exterior, com um viés ligeiramente mais fraco hoje. No mercado de juros, a inflação de curtíssimo prazo acima do esperado pode ainda manter a pressão altista. Para o dólar, o viés é misto, sem muita clareza. O CDS de 5 anos opera estável, ao redor de 147 pontos base…

   Ignacio Crespo Rey – Economista


SOBRE O FECHAMENTO DO ÚLTIMO PREGÃO:

Ibovespa: -0,84%, aos 78.201 pontos ;
Real/Dólar: -0,43%, cotado a R$3,235 ;
Dólar Index: -0,21%, 92,332 ;
DI Jan/21: +02 pontos base, 8,920% ;
S&P 500: -0,11% aos 2.748 pontos .

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


EMPRESAS:

Ecorodovias: Cia paga 91% de ágio para entrar no Rodoanel
Impacto: Marginalmente Negativo.

Eletrobras: Privatização da Eletrobras vai a Congresso em fevereiro, alguns dias antes do fim do recesso
Impacto: Neutro.

 

 

Luis Gustavo Pereira – Estrategista

 

 


Jornais:

Folha de São Paulo
– Inflação fica abaixo do piso da meta pela 1ª vez
– Corregedor do CNJ relatará caso que envolve seus filhos
– Brasileiro preso na Venezuela diz ter planejado captura
– Suspeito de racha mata dois e fere seis na Imigrantes

O Estado de São Paulo
– Temer diz preferir Meirelles na Fazenda e elogia Alckmin
– Caixa deve emprestar R$ 2,5 bilhões sem garantias
– Inflação fica em 2,95% em 2017, abaixo do piso da meta
– Regras para app são ignoradas no primeiro dia

O Globo
– Famílias ocupam casas condenadas após tragédia
– Inflação alivia, mas crise fiscal preocupa
– Em Curitiba, 53 novos inquéritos
– Vidigal: Exames atestam hepatite

Valor Econômico
– União já pode bloquear bens sem ordem judicial
– BC comemora inflação baixa, mas tem que se justificar
– Quem faz a cabeça de Alckmin
– Terra volta a ser opção de investimento

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional.

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