Introdução: Mercados internacionais operam com baixas variações, à espera da reunião do Fed (amanhã). Hoje, saem dados de inflação ao consumidor nos EUA. O encontro entre Donald Trump e líder da Coreia do Norte Kim Jong-un foi, aparentemente, bem sucedido. Ainda há poucos detalhes do “pacto” entre ambos, e não faz preço nos mercados. No Brasil, investidores digerem as projeções de PIB mais fracas. Guardia (Fazenda) fala com investidores pela manhã; e Ilan (BC), em entrevistas, parece reforçar a possibilidade de manutenção da Selic no Copom deste mês. Verdade seja dita: Ilan, há meses, tem alertado que o cenário externo não continuaria positivo para sempre; e que as reformas por aqui são necessárias para manter os juros baixos.


CENÁRIO EXTERNO: ATENÇÕES AO FED.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas da Europa operam sem direções claras, após ganhos na China e Japão. O dólar opera estável, enquanto os juros das Treasuries têm altas leves (10 anos ~2,96%). As commodities mistas. O petróleo (Brent) na casa dos US$76/barril; o minério de ferro subiu 0,72% na China, cotado em US$67,23/tonelada. O índice VIX sobe 1%, ao redor das 9h, horário de Brasília. Em suma: um dia de oscilações mais modestas no exterior.

1º dia de Fed… O mercado está à espera da decisão do BC americano, que sai amanhã. Esperamos que os juros subam pela 2ª vez neste ano, de 1,50-1,75% para 1,75-2,-00% ao ano. Além disso, vale monitorar as novas projeções oficiais do Fed, sobre PIB, desemprego, inflação e taxas de juros. Importante: é possível que o Fed passe a considerar um cenário-base de 4 elevações de juros, e não 3, como é o atual.

Na agenda de hoje… Nos EUA, saem dados de inflação ao consumidor de maio (9h30). O mercado espera que ela passe de 2,5% para 2,8%. O “núcleo”, que desconsidera preços de alimentos e energia, deve passar de 2,1% para 2,2%. Vale observar: continuamos com um viés de alta na inflação americana – algo que tende a manter o dólar forte ao redor do mundo, ao menos no curto prazo.


BRASIL: INVESTIDORES DIGEREM PIB MAIS FRACO.

Como está o cenário político? Tivemos uma conversa com os jornalistas Fernando Rodrigues e Tales Faria, do portal Poder360. Direto de Brasília, eles comentaram sobre o cenário político atual, e as perspectivas para as eleições. A conversa pode ser acompanhada aqui, em áudio, ou aqui, em vídeo, direto de nosso blog.

Algumas considerações sobre política… O Datafolha de domingo (10) mostrou um cenário ainda muito aberto, e tudo indica que maiores definições – alianças, acordos, desistências e, por último, informações mais “novas” – acontecerão final de julho, ou começo de agosto. Talvez a desistência de Rodrigo Maia (DEM) possa vir antes, mas o quadro ainda será de fragmentação. Com o início da Copa, o Congresso ficará praticamente paralisado. Aliás, se a Câmara conseguir concluir a votação do projeto do cadastro positivo (PLP 441/17) nesta semana já terá sido um ótimo resultado.

Comércio decepciona… Nos 6 primeiros dias úteis de junho, as exportações foram de US$4,849 bi e as importações de US$3,935 bi, segundo dados do MDIC. Assim, o saldo da 1ª e 2ª semana do mês foi de US$333 mi e US$581 mi, respectivamente. Estes números ficaram aquém do esperado, considerando que começaríamos a ver uma recuperação, pós greve dos caminhoneiros. Para o mês de junho fechado, ainda esperamos um superávit na casa dos US$7 bi, embora agora com algum viés baixista.

Fluxo pedagiado decepciona… Este é outro impacto da greve dos caminhoneiros. Em maio, o fluxo nas estradas caiu 15% frente a abril, e 13,4% frente ao mesmo período do ano passado, segundo dados da ABCR. Considerando veículos pesados, a queda foi ainda maior: -27,7% frente a abril, e -23,8% frente a maio de 2017. Com isto – mesmo que seja um “choque-transitório” –, a produção industrial de maio deve ser bem fraca. Neste momento, esperamos uma queda de 15% frente a abril, e de 11% frente a maio de 2017, aproximadamente.

Atividade, e PIB mais baixo… Ainda digerindo os impactos da greve dos caminhoneiros, a bolsa continua com um viés baixista, dada a desaceleração econômica esperada à frente. Isto tem feito analistas revisarem as suas projeções para o Ibovespa. Aliás, o próprio BC deve revisar o PIB deste ano, de 2,6% para algo entre 1,5-2,0%, até o final do mês (dia 28 de junho sai o novo Relatório Trimestral de Inflação). Segundo matéria do Valor, o governo estima uma perda de -0,2% de PIB neste ano, decorrente dos “efeitos diretos” das paralizações. Nesta conta, ainda faltam os “efeitos indiretos”, via deterioração da confiança.

Banco Central… Em entrevistas, o presidente Ilan Goldfajn declarou que o cenário externo benigno terminou. Também deixou claro que o risco de a inflação ficar abaixo de 3% diminuiu, e que estará atento às projeções de inflação para os próximos meses. Também segue enfatizando que o COPOM tomará as decisões sobre a Selic em cada reunião. Ou seja: até o último momento, será importante acompanhar o cenário. Não há “voo” pré-definido. Em nossa opinião, Ilan reforça o nosso cenário-base, de Selic estável em 6,50% no próximo COPOM (19 e 20 de junho).

“Nós alertamos que o cenário benigno não iria continuar para sempre, e isso se revelou verdade. Mas também alertamos que é necessário continuar na trajetória de ajustes, de reformas”, Ilan Goldfajn (BC).

Agenda de hoje… No front macro, dia de poucos destaques. O BC divulga o Relatório de Economia Bancária de 2017 (8h), e o diretor Carlos Viana concede entrevista às 11h. Além disso, a Conab divulga o 9º levantamento da safra de grãos 2017/18 (9h). No mercado cambial, o BC segue com seus leilões de swap cambial no valor de US$750 mi. Pela manhã, Eduardo Guardia (Fazenda) participa de teleconferência com investidores nacionais (9h) e internacionais (11h). No Planalto, à tarde (14h30), Temer recebe, além de Guardia, o ministro Esteves Colnago (Planejamento) e o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira.

Boletim Focus… O mercado revisou o IPCA deste e do próximo ano para cima. As projeções são de 3,82% e 4,07%, respectivamente. O PIB foi no sentido contrário: espera-se 1,94% neste ano, e 2,80% em 2019. A Selic ficou estável: espera-se 6,50% no final deste ano; e 8,00% para o final de 2019. A taxa de câmbio também ficou estável, em R$3,50, tanto para o final de 2018 como para 2019.

E os mercados hoje? Ainda digerindo os impactos da greve dos caminhoneiros, a bolsa continua com um viés baixista, dada a desaceleração econômica esperada à frente. Aliás, o próprio BC deve revisar o PIB deste ano, de 2,6% para algo entre 1,5-2,0%, até o final do mês (dia 28 sai o novo Relatório Trimestral de Inflação). A percepção de risco país (CDS de 5 anos) sobe mais de 1,5% pouco antes das 9h. Nos mercados de câmbio e juros, vemos oscilações menos claras hoje.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,87%, aos 72.308 pontos;
Real/Dólar: : +0,08%, cotado a R$3,711;
Dólar Index: +0,08%, 93,608;
DI Jan/21: +08 pontos base, 9,660%;
S&P 500: +0,11% aos 2.782 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

B3: Oferta inicial de ações da Blau Farmacêutica fica para 2019
Impacto: Marginalmente Positivo.

Petrobras: Governo vê TAG vendida em julho
Impacto: Marginalmente Positivo.

Vale: Vale vende cobalto futuro para expandir no Canadá
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Pela primeira vez, maioria não tem interesse na Copa
– Ditador Kim Jong-Un e Donald Trump têm encontro histórico em Cingapura
– Para manter influência, MDB prepara loteamento de agências
– Arrastões deixam zona boêmia de SP em alerta

O Estado de São Paulo
– Kim e Trump, aperto de mão histórico
– Indefinição sobre frete trava o transporte de carga
– Tite libera e atletas aproveitam o dia com a família
– “SUS da Segurança” prevê R$ 800 mi

O Globo
– Justiça vai decidir sobre tabela de frete
– Cúpula Trump-Kim inicia período de longas negociações
– Violência custou ao Brasil R$ 450 bilhões em 20 anos
– Mídia critica nova regra do Facebook

Valor Econômico
– Agenda anti-China ainda une EUA, Europa e Japão
– Estatal do pré-sal vai refazer leilão
– US$ 38 bi em swap para frear o câmbio
– BTG conclui plataforma digital

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Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional. Twitter: @IgnacioCrespo10

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