Mercados Hoje: de olho nos banqueiros

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Introdução: No exterior, as decisões dos bancos centrais seguem no radar dos investidores. Ontem, o BC europeu sinalizou o fim das compras de ativos mensais. Hoje, o BC japonês manteve as suas políticas inalteradas. O dólar opera estável, mas as commodities recuam. A volatilidade tem leve aumento hoje. No Brasil, o BC mantém intervenções no mercado cambial. No entanto, o viés mais negativo ainda prevalece para os mercados locais, em nossa opinião. As incertezas na política e o quadro externo são ainda fontes de incerteza. No front macro, a economia cresceu em abril (segundo índice IBC-Br). Porém, maio será fraco, e as projeções de PIB neste ano devem continuar a recuar.


CENÁRIO EXTERNO: BANCOS CENTRAIS NO RADAR, AINDA.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas recuam na Europa, após sessão mais negativa na Ásia. O S&P futuro opera no vermelho. O dólar está estável frente a seus principais pares, e os juros das Treasuries recuam hoje (10 anos ~2,92%). O índice VIX, um termômetro da volatilidade externa, sobe mais de 2%, ao redor das 9h, horário de Brasília. O dia também é mais negativo para as commodities. O petróleo (brent) opera na casa de US$75/barril.

Decisões do BC europeu… Além da manutenção dos juros baixíssimos, o dia de ontem foi de sinalizações importantes. O programa de compra de ativos mensais (o chamado “QE”, na sigla em inglês) terá o seu ritmo reduzido a partir de setembro (de 30 bi de euros/mês para 15 bi/mês). E terminará em dezembro. Além disso, o presidente Mario Draghi afirmou que os juros continuarão estáveis, e baixos, até, no mínimo, o verão de 2019. Considerando que a economia continuará a crescer e, com isso, a inflação apresentará um viés altista, acreditamos que os juros começarão a subir no 2º semestre de 2019.

Decisões do BC japonês… A instituição manteve as suas políticas monetárias inalteradas, em linha com o esperado. A taxa de depósitos de curto prazo segue em -0,1% e a meta para o juro soberano de 10 anos continua em torno de zero. Além disso, o BC continuará com as suas compras de títulos do tesouro e de outros ativos no ritmo anual de 80 trilhões de ienes (equivalente a US$723 bi).

Mudanças no BC argentino… Após depreciação cambial, e pressões internas crescentes, o presidente do BC argentino Federico Sturzenegger apresentou ontem uma carta de demissão ao presidente Mauricio Macri. A relação já era de desconfiança. Boa parte dos dirigentes também deixa a instituição, e assume, no lugar de Federico, Luis Caputo, ex-ministro das Finanças que possui bom relacionamento com o setor bancário.

Na agenda de hoje… Nos EUA, é dia de agenda um pouco mais carregada. Sairá o índice Empire Manufacturing de junho (9h30); produção industrial de maio (9h30); e a confiança do consumidor de junho (11h).


BRASIL: ECONOMIA EXPANDE EM ABRIL.

Alckmin delega poder… O pré-candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin definiu que Marconi Perillo, ex-governador de Goiás e vice-presidente da sigla, será a partir de agora o responsável pela costura de alianças políticas e pelo acerto das composições do PSDB nos palanques estaduais. O grande objetivo seria fechar uma “grande concertação” de centro, que englobaria DEM, PP e PR. O MDB, caso desista de Meirelles, também entraria neste grupo.

E o Ciro? Segundo coluna da Folha, a executiva do PDT decidiu lançar a candidatura de Ciro Gomes no dia 20 julho, apresentando 12 macro propostas como “coluna vertebral” da campanha. Além disso, a direção da sigla também decidiu que vai priorizar alianças com os partidos que se alinhem a esses compromissos, fazendo aceno ao PSB e PC do B. O PSB, diga-se de passagem, segue sendo cobiçado por outros partidos, inclusive o PT.

“Jogados os búzios na campanha presidencial, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin disputam uma vaga no 2º turno e Ciro Gomes e o candidato do PT concorrem à outra”, Cid Gomes, coordenador da campanha de Ciro Gomes ao Planalto.

Crise dos combustíveis… Esgota-se hoje o prazo de 48 horas concedido pelo ministro do STF Luiz Fux para que o presidente Temer e órgãos do governo federal se manifestem a respeito da tabela de preços mínimos de frete no transporte rodoviário. A situação segue sem resolução.

Sobre as intervenções do BC… Em nota divulgada ontem, o BC reafirmou que ofertará o total de US$24,5 bi em contratos de swap cambial entre os dias 08 e 15 de junho, conforme anunciado anteriormente. Importante: até o momento, já foram vendidos US$18,75 bi. Para a semana que vem, o BC estima oferecer montante em torno de US$10 bi em contratos de swaps. Esse montante poderá ser ajustado para cima ou para baixo, dependendo das condições de mercado. Mais uma vez, o BC reafirma que não vê restrições para que o estoque de swaps cambiais exceda consideravelmente os volumes máximos atingidos no passado.

Agenda de hoje… No front macro, saiu o índice IBC-Br de abril: +0,46% frente a março, após -0,51%, mas ligeiramente abaixo dos 0,60% esperados. Frente a abril de 2017, a economia cresceu 3,70%, após -0,55%. O mercado esperava +3,90%. Em suma: abril teve um bom ritmo, mas economistas seguem preocupados com os impactos da greve dos caminhoneiros, em maio/junho.

E os mercados hoje? Continuamos vendo um viés mais negativo em bolsa, e altista nos mercados de câmbio e juros. Ou seja: por enquanto, a dinâmica recente deve prevalecer. As intervenções do BC têm ajudado a conter pressões de alta no curtíssimo prazo, verdade seja dita. Mas as incertezas quanto ao próximo governo continuarão a ser um fator negativo para os mercados locais. Hoje, soma-se um exterior menos favorável para os ativos de risco.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,97%, aos 71.421 pontos;
Real/Dólar: : +2,27%, cotado a R$3,806;
Dólar Index: +1,43%, 94,879;
DI Jan/21: +41 pontos base, 10,350%;
S&P 500: +0,25% aos 2.782 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

BRF: Conselho aprova Pedro Parente como diretor- presidente da Cia
Impacto: Positivo.

Cesp: Edital da Cesp deve sair semana que vem
Impacto: Positivo.

Eletrobras: Edital p/venda distribuidoras prevê leilão em 26/jul
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Supremo veta condução coercitiva de investigados
– Rússia goleia na estreia da Copa, que teve Putin isolado
– Legalização do aborto avança na Argentina e vai para o Senado
– Gripe avança, e colégios adotam vacinação em SP

O Estado de São Paulo
– BC intervém e gasta US$ 5 bi, mas dólar vai a R$ 3,80
– Supremo proíbe que investigados sejam levados à força para depor
– Deputados só batem ponto 1 vez por semana
– PF aponta propina de R$ 57,3 mi no Rodoanel de SP

O Globo
– Supremo proíbe condução coercitiva
– Deputados da Argentina aprovam lei do aborto
– Parente será presidente global da BRF
– Centro corre risco de perder 522 policiais

Valor Econômico
– EUA aceleram, dólar sobe e BC reforça ação no câmbio
– Arrecadação de maio supera em 20% a previsão
– Empregados e patrões fazem mais acordos
– Em campo, o jogo político de Putin

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional. Twitter: @IgnacioCrespo10

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