Mercados Hoje: de olho no México

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Introdução: O ambiente é de maior aversão a risco no exterior, com bolsas em baixa e dólar mais forte. Atenção aos dados da indústria dos EUA, após desaceleração chinesa. A maioria das commodities opera em baixa. No México, o próximo presidente será de esquerda. A partir desta 6ª, passam a vigorar tarifas americanas sobre produtos chineses. No Brasil, o Congresso segue em ritmo lento. Mercado espera pesquisa DataPoder360. No front macro, o mercado revisou o IPCA deste ano para cima (de 4,00% para 4,03%), e o PIB de 2019 para baixo (de 2,60% para 2,50%). A incerteza segue elevada, e a percepção de risco pois começa a semana em alta. O viés é negativo para os mercados locais. Sobre a Copa do Mundo? A probabilidade do Brasil ganhar do México hoje é de 82%.


CENÁRIO EXTERNO: CHINA DESACELERA; MÉXICO VAI À ESQUERDA.

O “básico” sobre os mercados… É dia de maior aversão a risco, com bolsas da Europa em baixa, após quedas na Ásia. Na China, o índice de Xangai caiu 2,53%. Nos EUA, o S&P futuro também recua nesta manhã, mantendo viés mais negativo. Siderúrgicas e mineradoras recuam, após dados fracos na China. O dólar se valoriza, e os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,86%). A volatilidade, medida pelo índice VIX, sobe mais de 7% (~8h40). Por fim, a maioria das commodities recua. O petróleo (brent) oscila na casa dos US$79/barril. O minério de ferro caiu 0,74%, cotado a US$64,54/tonelada.  

China desacelera… A indústria, medida pelo índice PMI, recuou em junho, ao passar de 51,9 pontos para 51,5. Ficou abaixo dos 51,6 esperados pelo mercado. O setor de serviços, por outro lado, ficou praticamente estável, ao passar de 54,9 para 55,0. Vale lembrar: acima de 50 pontos, o índice PMI sinaliza “expansão” para os próximos meses. Neste ambiente de desaceleração chinesa, as commodities recuam nesta sessão (especialmente as metálicas). Vale lembrar: nesta 6ª (dia 6), passam a vigorar as novas tarifas impostas pelo governo Trump a produtos chineses, no valor de US$34 bi.

Inflação americana segue estável… A inflação, medida pelo índice PCE (o deflator do consumo), acelerou de 2,0% para 2,3% em maio. Ficou acima dos 2,2% esperados. Se desconsideramos os preços de alimentos e energia, a inflação passou de 1,8% para 2,0%, acima dos 1,9% esperados. Ou seja, chegou à meta do Fed. Vale dizer: o próprio Fed projeta uma inflação de 2,1% para este ano, ligeiramente acima de sua meta.

México elege presidente de esquerda… Fortalecido pelas políticas agressivas de Trump, o México elegeu neste domingo o candidato da esquerda, Andrés Manuel López Obrador, para um mandato de 6 anos como presidente. Pelos dados até aqui, tem 53,7% dos votos. “Vamos acabar com a corrupção no México” , disse o presidente eleito, logo após a divulgação dos primeiros resultados. Apesar de experiente na política, conseguiu construir uma imagem de candidato anti-establishment. Seriam os mexicanos um “exemplo” para o Brasil?

Sobre a Copa do Mundo… Voltamos a atualizar as probabilidades, considerando modelo estatístico do blog FiveThirtyEight, de Nate Silver. O Brasil lidera as apostas para ganhar a Copa, com 26% de probabilidade; seguida pela França, com 16%; e pela Croácia, com 12%. Logo atrás, Inglaterra e Bélgica aparecem empatadas, com 10%. O Uruguai tem 7%. Para o jogo de hoje do Brasil contra o México, atribui-se uma probabilidade de vitória de 82% aos brasileiros. À tarde, a Bélgica deve ganhar do Japão, com 76% de probabilidade.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro: (1) índice PMI industrial (10h45); (2) gastos com construção (11h); e (3) índice ISM industrial (11h).


BRASIL: À ESPERA DE PESQUISA, É DIA DE JOGO.

Em Brasília… O Congresso seguirá em ritmo lento. A Câmara pode votar a urgência para o projeto que viabiliza a venda das distribuidoras da Eletrobras. Ainda na pauta está a finalização da votação do projeto da cessão onerosa (faltam os destaques). A lei que amplia o cadastro positivo sequer foi pautada. A semana também é marcada pelo início do recesso do Judiciário..

Sobre as eleições… Enquanto esperamos a pesquisa DataPoder360 (que deve ser divulgada ainda hoje), vale destacar: (1) amanhã (dia 3), o MDB se reúne para discutir as convenções estaduais e a distribuição de recursos do Fundo Eleitoral para o financiamento de campanhas; (2) a CNI promove sabatina na 4ª (dia 4) para discutir propostas para a indústria dos pré-candidatos Alvaro Dias (Podemos), Ciro (PDT), Alckmin (PSDB), Meirelles (MDB), Bolsonaro (PSL) e Marina (Rede) e; (3) a partir desta 5ª (dia 5), pré-candidatos podem fazer propaganda nas suas legendas para as convenções partidárias (que serão realizadas de 20 de julho a 5 de agosto).

Desemprego recua… No trimestre encerrado em maio, segundo os dados da PNAD Contínua, a taxa de desemprego passou para 12,7%, contra 12,9% no trimestre móvel anterior. Na série com ajuste sazonal, a taxa permaneceu estável em 12,4%. Frente ao dado anterior, a população ocupada recuou 0,1%, considerando a série com ajuste sazonal. O crescimento de 1,3% frente ao mesmo tri do ano anterior deve-se, em grande parte, aos trabalhadores informais – algo que gera um pouco de preocupação.

Confiança recua… Segundo dados da FGV, a confiança da indústria e do setor de serviços recuou em junho. O 1º índice caiu 1,4% frente a maio, fruto da deterioração da “situação atual”. Afinal, as expectativas para os próximos meses avançaram 3,2%. O nível de utilização da capacidade instalada caiu de 76,5% para 76,3%. Já o 2º índice recuou 2,4%, refletindo não só a piora da “situação atual” (-1,7%), mas também das “expectativas” (-3,0%).

Situação fiscal: déficit de 1,4% do PIB… Segundo dados do BC, em maio, o setor público consolidado apresentou déficit de R$8,2 bi. O mercado previa um déficit de R$10,2 bi. Em 12 meses, o déficit acumulado passou de R$118,4 bi para R$95,9 bi (agora, equivale a 1,4% do PIB). Vale lembrar: a meta do governo para este ano é de R$161,3 bi.

Agenda de hoje… No front macro, além do Boletim Focus, teremos: (1) índice PMI industrial (10h); (2) contas externas de junho (15h); e (3) vendas de automóveis, segundo a Fenabrave (sem horário definido). Pela manhã (11h), o jogo Brasil x México.

Sobre o Boletim Focus… Em novo formato (com mais informações, e considerando prazos mais longos), o documento compilado pelo BC mostra que o mercado revisou para cima o IPCA deste ano (de 4,00% para 4,03%), mas manteve a projeção para 2019, em 4,10%. O câmbio projetado para o fim deste ano também subiu, de R$3,65 para R$3,70. O de 2019 foi mantido em R$3,60. O PIB de 2018 foi mantido em 1,55%, mas recuou o de 2019, de 2,60% para 2,50%. Por fim, para a Selic, tudo igual: espera-se manutenção de 6,50% até o final deste ano, e 8,00% até o final de 2019.

E os mercados hoje? Diante de um quadro externo desfavorável, temos um viés de baixa em bolsa, e de alta em dólar e DIs. A percepção de risco país já sobe mais de 1%, com o CDS de 5 anos oscilando ao redor de 274 pontos base. O BC pode voltar a aumentar o estoque de swaps cambiais, mas não deve ser suficiente para conter pressão altista sobre a moeda, em nossa opinião.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,39%, aos 72.762 pontos;
Real/Dólar: +0,40%, cotado a 3,876;
Dólar Index: -0,88%, 94,470;
DI Jan/21: -4 pontos base; 9,31%;
S&P 500: +0,08% aos 2.718 Pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


EMPRESAS:

Usiminas: Cia reajusta preços
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– López Obrador é eleito presidente do México
– Total de idosos em abrigos públicos sobe 33% em 5 anos
– Em 2017, só 11% guardaram dinheiro para a velhice
– Boas escolas não freiam violência em terra de Ciro Gomes

O Estado de São Paulo
– Delações da Odebrecht são contestadas em São Paulo
– Subsidiárias da Eletrobrás somam prejuízo de R$ 22,3 bi
– Esquerda chega à Presidência pela 1ª vez no México
– Padrão Tite

O Globo
– Líder do governo loteia vagas na Dataprev
– Esquerdista López Obrador vence a eleição no México
– Governo recorre a empresas para construir ferrovias
– Depois de Mbappé e Cavani, a vez de Neymar

Valor Econômico
– União perde R$ 9,3 bi com lei que legitima incentivo ilegal
– Agenda contra a China se esboça na OMC
– Esquerda chega ao poder no México
– O programa de Paulo Guedes para Bolsonaro

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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