Mercados Hoje: a casa está em ordem?

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Introdução: Sobe a aversão a risco no exterior. Os holofotes estão voltados à reunião do G-7, no Canadá. Trump estará lá, e analistas estão preocupados com relação ao tom do presidente americano. Hoje, nos EUA, é dia de agenda macro esvaziada, e investidores já estão à espera da semana que vem, que contará com elevação de juros do Fed. No Brasil, Ilan Goldfajn, do BC, falou em coletiva de ontem à noite, tentando acalmar o mercado. Aumenta a oferta de hedge cambial. A política segue sendo fator de incertezas. No front macro, o IPCA veio acima do esperado em maio, e passou de 2,76% para 2,86%.


CENÁRIO EXTERNO: ATENÇÕES À REUNIÃO DO G-7, NO CANADÁ.

O “básico” sobre os mercados… Aversão a risco volta ao exterior. O índice VIX sobe mais de 8% (~8h20); os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,91%); e o dólar se valoriza. Entre commodities, apesar do viés mais negativo que prevalece (brent na casa de US$76/barril), o ouro opera estável, e o minério de ferro subiu 0,90% na China, cotado a US$67,44/tonelada.

Reunião do G-7… Os holofotes estão voltados à cidade canadense de Quebec, aonde acontece a reunião do G-7. O presidente Trump estará lá. Participa hoje e amanhã. Na sequência, viaja a Singapura e se preparará para a reunião com o líder da Coreia do Norte.

China: saldo comercial de US$24,4 bi em maio… O número ficou abaixo do esperado pelo mercado (US$32,5 bi). As importações cresceram 26% a/a em maio (21,5% em abril), bem acima do projetado (+19,6%). Isto reflete a força da demanda doméstica. As exportações, por outro lado, registraram avanço de 12,6% a/a. Aqui, segue forte a demanda por produtos chinesas da própria Ásia.

Na agenda de hoje… Nos EUA, a agenda macro é esvaziada. O mercado está atento à reunião do Fed, na próxima 4ª, dia 13. Neste encontro, os juros devem subir, de 1,50-1,75% para 1,75-2,00% ao ano. No dia seguinte (5ª, dia 14), o BC europeu é quem faz reunião de política monetária, na Letônia. Neste encontro, deve sinalizar o fim do QE ainda neste ano. Elevação de juros? Não antes do 2º semestre de 2019, em nossa opinião.


BRASIL: BC TENTA ACALMAR MERCADO.

PT anuncia Lula como pré-candidato… O PT realiza hoje o ato para o lançamento da pré-candidatura de Lula ao Planalto. O evento será em Contagem, Minas Gerais (18h). Por enquanto, não há “plano B”, mas o mais cotado é Fernando Haddad, que aparece competitivo em pesquisas recentes. Na pesquisa DataPoder360, Haddad aparece com 6-8%, a depender do cenário testado. Numa pesquisa da XP, Haddad aparece com 11%.

Mais fragilidades… O Estado de MG lidera o ranking de ônibus queimados. Em 2018, já são 85 casos — 56% dos 150 queimados em todo o país, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Ontem, policiais civis e militares, bombeiros e agentes carcerários invadiram o Palácio da Liberdade, em Minas, pedindo aumento salarial. Em suma: mais fragilidades.

Como está o cenário político? Uma conversa Guide & Poder360… Tivemos ontem à tarde uma conversa com os jornalistas Fernando Rodrigues e Tales Faria, do portal Poder360. Direto de Brasília, eles comentaram o cenário político atual, e as perspectivas para o futuro das eleições. A conversa pode ser acompanhada aqui, em áudio.

Governo volta atrás… O governo decidiu ontem revogar a nova tabela com preços mínimos de frete, publicada no mesmo dia. Volta a valer a anterior, de 30 de maio. O ministro Valter Casimiro (Transportes) afirmou que em 30 dias será feito um novo “melhoramento” na tabela. Neste contexto, a ANTT reúne-se, às 9h, com caminhoneiros, para discutir isto.

BC tenta diminuir preocupação do mercado… O presidente do BC, Ilan Goldfajn, chamou uma coletiva ontem à noite, tentando diminuir preocupação com relação aos movimentos de mercado. Reforçou que o Brasil está preparado para choques. Veja o link do áudio aqui. Considerando que há uma demanda por hedge cambial, aumentou a oferta de swap cambial até o final da semana que vem. Também disse que poderão ser usadas as reservas internacionais e leilões de linha de dólar, caso seja necessário. Registre-se: Ilan fez sinalização forte, dizendo que, se precisar, levará o atual estoque de swap cambial, próximo de US$38 bi, para a máxima recente, de quase US$115 bi, no início de 2015. Aliás, poderia ultrapassar este limite, caso necessário.

Sobre a Selic? Ilan afirmou, mais uma vez, que não existe relação “mecânica” entre a política monetária e a taxa de câmbio. Ou seja: neste momento, não dá indícios de que o BC possa elevar a Selic na próxima reunião, visando conter depreciação do real frente ao dólar. Seguirá atento à inflação, à sua projeção, e ao balanço de riscos. Descartou também a realização de reuniões extraordinárias, após esta possibilidade ter crescido no mercado.

BC emite nota de explicação hoje… Em seu site, o BC emitiu uma “nota de esclarecimento”, dizendo que “o montante de US$ 20 bilhões em contratos de swaps a serem ofertados ao longo da próxima semana são adicionais aos montantes de US$ 750 milhões que vêm sendo oferecidos diariamente nos leilões de swaps. O montante total de swaps ofertados até o dia 15 de junho será, salvo intervenções adicionais, de US$ 24,5 bilhões”. Mais: “O BC se reserva o direito de não oferecer na semana que vem o leilão diário de US$ 750 milhões e adicionar esse montante às intervenções esporádicas durante o dia”.

Um dólar a R$4,00, ou acima disto? Escrevemos no blog da Guide um texto comentando sobre recentes movimento da taxa de câmbio, e o nosso viés a partir de agora. Já no dia 10 de maio, falávamos que prevalecia um viés de alta, tanto por fatores externos quanto internos. Apostar numa “volta” do dólar era pouco provável. O mesmo segue sendo o caso neste momento, em nossa opinião.

Agenda de hoje… No front macro, o IPCA de maio é o destaque. Em 12 meses, passou de 2,76% para 2,86%. O mercado esperava 2,74%. Na comparação mensal, acelerou de 0,22% em abril para 0,40%. O mercado esperava 0,29%. Hoje, Ilan (BC) participa de encontro no Valor Econômico, às 8h, de teleconferência com investidores às 11h e de evento em SP às 13h. Aqui, os apontamentos de Ilan para estes eventos.

Cheiro de dinheiro novo… O leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) rendeu R$ 3,15 bilhões em bônus de assinatura para a União, em linha com as expectativas. Mais: contratou investimentos previstos que somam R$ 738 milhões. Ou seja: o certame pode ser considerado bem sucedido. No geral, o leilão contratou três das quatro áreas ofertadas com um ágio de 202,3%. A Petrobras teve participação nas 3. A estatal desembolsará cerca de R$1 bi pelos ativos. Apenas Itaimbezinho, ativo considerado menos rentável, não recebeu nenhuma oferta.

Mais sobre os leilões da ANP… O resultado final da 4ª Rodada do pré-sal sinaliza o apetite dos players internacionais pelos ativos do pré-sal. Isto é algo que nos deixa mais otimistas, também, quanto ao possível leilão de excedentes da cessão onerosa (caso o governo, de fato, consiga realiza-la neste ano).

Na B3, recorde histórico… Ontem (5ª, dia 8), dia de maior aversão a risco e temores quanto ao futuro do país, a B3 atingiu seu recorde histórico no total de negócios. Em comunicado, a Bolsa informou que foram realizados nos segmentos BM&F e Bovespa, juntos, 4.656.976 negócios – a maior marca desde 29 de maio de 2017, que teve 3.754.844. Mais: houve também recorde de 610.691 negócios de minicontratos futuros de Dólar (WDO). Em contratos, foram registrados 1.673.987, quantidade superior ao recorde anterior de 1.362.507 no dia 6 de fevereiro deste ano.

E os mercados hoje? No cenário internacional, há uma crescente preocupação com a política comercial dos EUA, que volta a aumentar a preocupação do investidor. Por aqui, declarações de Ilan servem para diminuir a preocupação do mercado, e isto tende a reverter, ao menos no início do dia, as pressões que temos vistos em dólar e DIs. Isto, no entanto, não mudará a tendência. Em bolsa, o viés tende a ser mais negativo, em linha com o quadro externo e recuo de commodities. Volatilidade alta deve ser esperada.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -2,98%, aos 73.851 pontos;
Real/Dólar: : +1,46%, cotado a R$3,907;
Dólar Index: -0,19%, 93,435;
DI Jan/21: +56 pontos base, 9,790%;
S&P 500: -0,07% aos 2.770 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Petrobras (i): Cia vence leilão e mantém força na exploração do pré-sal
Impacto: Marginalmente Positivo.

Petrobras (ii): Petrobras mantém política de preços enquanto espera ANP
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– BC vai usar mais recursos contra a disparada do dólar
– Argentina faz acordo recorde com o FMI, de US$ 50 bilhões
– Caixa gastou R$ 17 milhões cem evento para funcionários
– Temer divulga nova tabela de fretes e a revoga horas depois

O Estado de São Paulo
– Dólar dispara com medo político; BC promete agir
– Por que há tanta tensão no mercado
– Receita vê omissão de bancos na Lava-Jato
– Governo volta atrás após anunciar nova tabela do frete

O Globo
– Com dólar perto de R$ 4, BC promete ampliar ação
– Governo cede e desiste de redução do preço do frete
– Argentina leva R$ 50 bi do FMI
– Leilão do pré-sal arrecada R$ 3,15 bi

Valor Econômico
– US$ 20 bi para acalmar mercado
– FMI socorre Argentina com US$ 50 bi
– “Cardápio é muito ruim”, diz Arminio
– União proíbe pagar IR com crédito fiscal

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Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
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Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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